Eu sei que a violência está chegando a níveis intoleráveis. Nem mesmo os condomínios mais fechados estão imunes a ela. Não dá pra ficar sorrindo pra todo mundo com quem cruzamos pela rua, nem mesmo para os que moram ao lado. Afinal, onde estaria o motivo que justifique esse gesto?
Os novos contornos da crise mundial que obviamente nos inclui, vêm reforçar ainda mais a carranca. Sabe-se lá Deus o que será de nossos empregos, nossas empresas, do fruto árduo de anos de investimento e de trabalho.
Por mais que nos esforcemos, carinho e afeto em família já é artigo escasso em tempos tão turbulentos. Os vizinhos, então, que nos perdoem, mas um “Feliz Natal”, acompanhado de um “Feliz Ano Novo” já está nos limites de nossas possibilidades de comunicação, à essa altura quase que monossilábica.
Pois é. Tarefa árdua essa a do Natal. Promover amizade, integração e fraternidade. Não gostaria de estar na pele de nenhum Papai Noel.
O fato é que ela, a história do menino, como em todos os outros anos chega, com sua mensagem singela, para fazer-nos lembrar, embora o calendário todos os dias deste ano tenha tentado inutilmente capturar-nos a atenção: - Não se esqueçam! Tudo aconteceu há uns 2.000 anos…
Encaremos os fatos, no entanto. Talvez o máximo mesmo que possamos fazer é dizer essas duas frases batidas, desgastadas pelo tempo. Vale-se ressaltar, contudo, que as palavras por si mesmas ainda são poderosas. Com elas, reinos ergueram-se e foram desfeitos; grandes amores e inimigos foram conquistados; sonhos e pesadelos tornaram-se realidade.
Quem sabe essas duas frases curtas nos sirvam de estímulo ao exercício da amizade? No esforço criativo de dizê-las de um modo convincente poderemos talvez querer pronunciá-las bem baixinho, com sentimento. Pra isso, vamos precisar chegar mais perto um do outro, dando oportunidade ao abraço inesperado, aos beijos de rosto colado, despropositados, mas não necessariamente frios. De repente, um ou outro par de olhos marejados!
É um bom começo. Palavras conhecidas, mas recheadas de emoção e desejo de que sejam verdadeiras.
Quem sabe, o condomínio que tenta nos proteger do mundo cruel lá fora, possa transformar-se de esconderijo em lar? De fortaleza em centro comunitário? De gueto em uma espaçosa casa, com suas muitas portas abertas, cujos moradores se encontrem todos para celebrar a festa-vida? Isso pode dar samba!
Bem… Mas esse é assunto pro Carnaval. A hora é mesmo de se dizer Feliz Natal…Feliz Ano Novo!
Assuntos: Amizade, Carnaval, Fraternidade, Integração, Natal



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