Uma de minhas leituras preferidas tem sido a do místico cristão do século XVI, o espanhol São João da Cruz. Segue abaixo um trecho de sua obra Cântico Espiritual.
Onde é que te escondeste?
Como se dissera: Ó Verbo, meu Esposo, mostra-me o lugar onde estás escondido. Nisto lhe pede a manifestação de sua divina essência, porque o lugar onde está escondido o Filho de Deus é, conforme a palavra de São João, o seio do Pai (Jo 1,18), que é a essência divina, a qual está alheia a todo olhar mortal, e escondida a todo humano entendimento. Por este motivo, Isaías, falando a Deus, exclamou: “Verdadeiramene és Deus escondido” (Is 45,15).
Daqui podemos concluir que as maiores comunicações, e as mais elevadas e sublimes notícias de Deus, que a alma possa ter nesta vida, nada disso é Deus em sua essência, nem tem a ver com ele, pois, na verdade, Deus permanece sempre escondido para a alma…
É conveniente, então, que ela o tenha sempre como escondido, e acima de todas essas grandezas e o busque sempre escondido, dizendo: Onde é que te escondeste?
Porque nem a elevada comunicação de Deus, nem a sua presença sensível, é testemunho certo de sua presença, pela graça; nem tampouco a secura e carência de tudo isso é sinal de sua ausência na alma.
Outra hora eu continuo…
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