À mesa almoçávamos eu, Parag, jovem doutorando paquistanês e Bindú, professora, também jovem e brilhante doutoranda, residente no interior da Índia.
O local do nosso almoço multinacional era a universidade de Uppsala, Suécia, sede de um congresso do qual nós e uma centena de delegados participávamos.
Após quase uma hora de conversa leve e agradável, Bindú conduz o conteúdo dos diálogos a águas mais profundas.
- Não creio nos milhares de deuses de meu país, embora eu mesma me sinta radicalmente hindú. Na verdade, não creio em nenhuma instituição religiosa. Mas creio, sim, em um grande mistério que a todos nos envolve e me rendo humildemente à grandeza e à riqueza desse mistério…
Depois de uma pausa de poucos segundos, volto a ouvir o ruído suave dos talheres tocando os pratos depois de ter abastecido bocas abertas, um pouco mais abertas do que de costume, no ritual quase mecânico de recepção do alimento.
Mais abertas, talvez, como a alma nobre de Bindú.
Assuntos: Bindú, Espiritualidade, Parag, Religião, Suécia, Uppsala, Viagens



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