Conheci pessoalmente o rabino Sobel anos atrás em uma reunião ecumênica no auditório da FATEC em São Paulo.
Eu havia sido convidado por um aluno para apresentar uma canção que resumisse a iniciativa do encontro.
Escolhi o Salmo 84, texto hebraico, herança da tradição religiosa judaica incorporado pela tradição católica monástica (até hoje o livro de Salmos é parte integrante da leitura meditativa de monges cristãos em todo o mundo) e fonte de inspiração na tradição protestante, toda ela erigida sob o fundamento da centralidade da Palavra.
Ao final da canção, olhei de soslaio para o rabino. Nos encaramos por alguns segundos. Sorrimos um para o outro. Seus olhos claros me disseram palavras de agradecimento pela escolha. Suas mãos se uniram em forma de concha, num gesto de bênção.
Me senti abençoado.
Ao ler as notícias envolvendo sua prisão, ao tomar contato com o lado escuro do ser humano Sobel, sinto por ele carinho e compaixão.
Deus do céu, quem sou eu pra julgá-lo?
Não lhe faltarão juízes e algozes.
Deixo registrada minha profunda admiração por sua postura em todos esses anos de serviços prestados à sua comunidade e a este país.
Quanto às gravatas, nada nos acontece por acaso…
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