Desde que me entendo por gente, um membro da família tem estado quase que onipresente em todos os momentos. De figura frágil e postura sempre discreta, sua abnegação (irmã mais velha de outros 7, não se casou pra cuidar deles) talvez seja a palavra que melhor descreve sua trajetória na existência.
De minha vida em particular ela participou já nos primeiros momentos. Foi minha madrinha de batismo. Um título que, em minha adolescência, depois de me haver batizado na igreja protestante relutei muitas vezes em usar. Sei que isso a deixou ressentida em muitas ocasiões. No espaço de seu coração amplo, no entanto, isso nunca foi motivo para que expressasse desinteresse ou rancor. Quanta bobagem religiosa!
Em todos os meus aniversários uma ligação, um presente por mais simples que fosse.
Amor.
Compromisso.
Lealdade.
Virtudes hoje tão escassas.
Para tentar dar uma idéia da dimensão de sua influência: minha madrinha Maria, “Inha” (como sempre foi carinhosamente chamada) foi quem me deu meu primeiro violão. E mudou a minha vida.
Nesta madrugada fria ela partiu ao encontro do amado em silêncio, discretamente, abnegadamente.
De consolo, me restam as palavras de São João da Cruz:
Ó noite que me guiaste
Ó noite mais amável que a alvorada
Ó noite que juntaste, ó noite que juntaste
Amado com amada!
Assuntos: História, Maria Perpétua, Notas, São João da Cruz



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