MÚSICA BOA E RUIM

by Jorge Camargo on agosto 12, 2014

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  No sábado à noite, em Salvador, ao final de minha apresentação, um garoto me abordou com a célebre pergunta: que repertório estudar para ser um bom músico? O da igreja, ou o do “mundo”?

É inegável a contribuição que as comunidades cristãs têm dado ao cenário da música popular. Particularmente nos Estados Unidos e na Europa, e mais recentemente no Brasil, é cada vez maior o número de bons músicos que, se constata, iniciaram seu aprendizado musical em alguma comunidade cristã.

No entanto, esse fato sempre revelou certa tensão, na medida em que a maioria deles viveu o dilema de “abandonar” suas atividades musicais na igreja para abraçar uma carreira artística por conta da aparente incompatibilidade entre um repertório de canções litúrgicas ou de conteúdo religioso e outro, chamado de “secular”.

De minha parte, vou repetir à exaustão: a carreira artística é uma carreira como outra qualquer. Tem suas peculiaridades, dificuldades, seus dilemas e seus percalços, é verdade. Mas qual atividade humana não tem?

Os supostos perigos a que estão expostos os artistas são os perigos que estão à espreita de todos que colocam o pé para fora de casa e vão exercer qualquer profissão.

 

Não tenho a pretensão de esgotar essa discussão em poucas linhas, mas tenho a firme convicção de que ouvir, estudar e conhecer músicas de todas as vertentes é obrigação de quem deseja ser um bom músico.

Conclui minha conversa com o garoto aparentemente aflito tratando de tranquilizá-lo. Afinal, já dizia o maestro soberano, “só há dois tipos de música. A boa e a ruim”.