O QUADRANTE TILLICHIANO

by Jorge Camargo on agosto 19, 2014

Tiziano_-_Amor_Sacro_y_Amor_Profano_(Galería_Borghese,_Roma,_1514)No módulo que tenho ministrado, Teologia da Arte, uma das partes que mais gosto é a que aborda os níveis de relação entre arte e religião, tendo como ponto de partida Tema e Estilo.

O tema incluiria os referenciais explícitos de uma obra de arte.

O estilo seria o poder que a arte possui de expressar com vitalidade, coragem e originalidade o tema exposto.

A partir dos dois elementos mencionados acima, teríamos quatro combinações:

Obras de arte com tema e estilo não-religiosos. Exemplo, “ai se eu te pego”. Sem mais comentários.

Obras de arte com tema e estilo religiosos: o Messias, de Handel.

Obras de arte com tema religioso e estilo não-religioso. (Sim, é possível. Toda obra artística de cunho religioso sem vitalidade, coragem e originalidade para expressar o tema exposto se encaixa nesse padrão. Está aí o mercado sub-cultural religioso que movimenta milhões para atestar esse fato).

Obras de arte com tema não-religioso e estilo religioso.
São tantas as canções, as peças teatrais, os quadros, as esculturas que ilustram esse ponto que não vou nem mencionar.

Faz-me lembrar Justino Mártir (século II), “todo o belo que foi expressado por qualquer pessoa, pertence a nós, os cristãos” (Segunda Apologia 13, 4).