Minha primeira estante de partitura musical eu conheci na igreja quadrangular da Praça Olavo Bilac, ainda garoto.
Muitas outras vieram: a do professor de violão clássico, do Mozart Mello, meu mestre maior nas harmonias, da escola do Zimbo Trio, onde tomei contato com o mundo do contrabaixo, do Claudio Bertrami, um de nossos melhores baixistas e de quem tive a honra de ser aluno, do Paulinho Vieira, grande violinista e meu orientador de solfejos…
Outras tantas estiveram diante de mim em palcos e púlpitos diversos, Brasil e mundo afora.
Há também a velha estante de casa, testemunha de canções sem conta que sobre ela repousaram para que a minha imaginação pudesse correr e voar, e que hoje reparte seu espaço também com os livros que traduzo e cujo conteúdo eu ajudo a espalhar como sementes; que leio e que me leem.
Amparada sobre três pés, ela é, entre muitas coisas, símbolo do apoio e do amparo divinos e humanos que permitem que a vida encontre esteio, rumo e prumo, seja frutífera e fecunda e que possa deixar um legado de arte, espiritualidade e beleza pra quem vier depois.

Assuntos: Arte, Espiritualidade, estante, imaginação, legado




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