Meu querido amigo Gladir Cabral, um de nossos maiores letristas e com quem amo conversar pelo simples prazer da conversa, certa vez me presenteou com uma frase de rara profundidade: “Jorge querido, a graça não está na resposta, mas na pergunta!”
A vida é assim mesmo.
Muitas perguntas, poucas respostas.
Mas são as perguntas que dão sabor a ela.
Se tudo estivesse explicado, “said and done” [dito e feito], qual seria o seu encanto, seu mistério, sua riqueza?
Agora mesmo, ao ler as notícias sobre mais um acidente aéreo, trágico, lamentável, constato, estupefato, que uma garota de 14 anos, tímida e frágil, foi encontrada viva entre escombros e vários corpos inertes. Como explicar esse fato? Como justificar tamanha improbabilidade?
Eu simplesmente não sei o que dizer.
Sou tão pequeno diante da imensidão das estrelas, da extensão assustadora dos corredores cósmicos, das células incontáveis que compõem meu corpo, dos labirintos sem conta do meu próprio coração.
A mim me resta fazer meus os versos do também fantástico letrista Gonzaguinha em sua ode à vida, “mas isso não impede
que eu repita:
é bonita, é bonita
e é bonita!”
Alguma pergunta?

Assuntos: acidente aéreo, perguntas, respostas




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