BLOG DO JORGE

Travessia

Uma viagem literário-musical de sensibilidade e espiritualidade.

Sala de Estar

Tudo Se Fez Novo

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Tive recentemente a honra de prefaciar um livro de Henri Nouwen. Clique aqui para ler o texto.

No Tubo

Pra quem quiser ouvir uma “palhinha”, uma canção do novo disco é só acessar o endereço abaixo…

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http://br.youtube.com/watch?v=HOfNu23pvjE

Mais Leve Que o Ar

Ontem voltei pra casa mais leve que uma pluma.

Convidado pelo Tiago Vianna cantei no Projeto Redenção. Depois de ouvir como abertura uma canção linda que ele fez com outro Thiago o Chiavegatti, cantamos juntos Dominguinhos, Gilberto Gil, Sérgio Pimenta e Guilherme Kerr além de uma parceria nossa “Voz Pequena”.

Pra fechar com chave de ouro a noite, tivemos ainda uma canja com Gerson Borges e ao piano Fernando Merlino.

Foi a primeira vez que toquei com o Merlino, um grande músico, e um grande coração.

Deu vontade de gravar um DVD. Não por modismo. Apenas como uma tentativa de eternizar aqueles momentos.

Dalai Lama e Boff

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:

- Santidade, qual é a melhor religião?

Esperava que ele dissesse: “É o budismo tibetano” ou “São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo”.

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me perturbou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta - e afirmou:

- A melhor religião é aquela que te faz melhor.

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:

- O que me faz melhor?

- Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião.

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.

Leonardo Boff

Teus Altares

O Salmo 84 é um de meus textos preferidos da Escritura. De sua leitura constante até a canção foi um salto.

O ano em que escrevi essa melodia, coincidentemente, foi o de 1984.

Lembro-me vividamente de estar sentado sobre o tapete da sala que também havia sido meu quarto por muitos anos. À medida que a melodia se encaixava na harmonia simples, a emoção aumentava, e lágrimas corriam por sobre a minha face.

A batida que eu utilizava me fazia lembrar “Meu Bem Querer” do Djavan, que fazia muito sucesso na época, inspiração que eu a principio rejeitei. (Bobagens estéticas e religiosas - a música do Djavan é tão linda e inspiradora quanto o Salmo).

Meus pais, de origem humilde, abrigaram minha avó materna, dona Olga, uma mulher de olhos claros, azuis como o mar de Maceió, de gênio forte, marcada pela dor e pela luta, filha de italianos, ex-funcionária de fábrica no tradicional bairro do Brás em São Paulo, por muito tempo reduto da comunidade italiana da cidade, e que até os 35 anos havia tido 10 filhos e perdido oito deles antes dos dois anos de idade.

Como morávamos os quatro em uma casa de apenas um quarto, minha avó e eu repartíamos a sala.

Ela em sua cama, eu no sofá.

Foi assim até sua morte em 1980, quando eu tinha 17 anos. A partir de então, ganhei meu quarto-sala, espaço onde nasceram minhas primeiras canções, e a adaptação desse Salmo. A linguagem piedosa do texto, “o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo”, “mais vale um dia nos teus átrios do que mil nas tendas da perversidade”, “porque o Senhor Deus é sol e escudo, o Senhor dá graça e glória, nenhum bem sonega aos que andam retamente”, cativou meu coração.

Durante muito tempo quis ser como o salmista, como se isso fosse possível.
Eu ainda não havia lido “…o qual passando pelo vale árido…”.

Hoje esta é a parte do Salmo que mais aprecio. Ela faz com que eu me sinta mais conectado com o personagem, e com o texto como um todo.

No ano seguinte (1985), passei a conviver regularmente com o Guilherme (Kerr), que escreveu a adaptação da terceira estrofe (Pois o Senhor é sol e escudo). O resto, é história.

Talvez seja minha canção mais conhecida Brasil afora, e uma de minhas preferidas.

O Mundo Seria Melhor

Segue abaixo um pequeno trecho do livro Ortodoxia Generosa de Brian McLaren, que estou terminando de traduzir para a editora Palavra:

Um dia [minha filha] Emma viu uma mulher caminhando em nossa direção coberta por um véu e perguntou o inevitável, “o que é isso, mamãe?”

“Emma”, eu respondi, “aquela senhora é muçulmana de um lugar bem distante. E ela se veste assim – e cobre sua cabeça com um véu – porque ama a Deus. É como seu povo mostra seu amor por Deus”.

Minha filha considerou aquelas palavras. Ficou olhando atentamente a mulher que passou por nós. Ela apontou para a mulher, e então apontou para o meu cabelo, e mais adiante questionou, “mamãe, você ama a Deus?”

“Sim querida”. Eu ri. “Eu amo. Você e eu somos cristãs. Senhoras cristãs mostram seu amor por Deus indo à igreja, comendo pão e vinho, servindo aos pobres, e dando aos que têm necessidade. Não vestimos véus, mas amamos a Deus”. Depois disso, Emma aproveitou cada oportunidade para apontar para as mulheres muçulmanas durante nossas compras e me dizer, “mamãe, olhe, ela ama a Deus.” Um dia, estávamos saindo do carro na garagem na mesma hora que nossas vizinhas paquistanesas. Emma viu a mãe, usando um lindo véu, apontou para ela e gritou, “olha, mamãe, ela ama a Deus!”

Minha vizinha ficou surpresa. Eu disse a ela que havia ensinado Emma sobre as senhoras muçulmanas que amam a Deus. Enquanto segurava suas lágrimas, essa pessoa quase estranha me abraçou dizendo, “eu gostaria que todos os americanos ensinassem seus filhos assim. O mundo seria melhor. O mundo seria melhor.”

Arte e Propaganda

Há uma enorme diferença entre propaganda e arte. Há algo em relação à arte que diz, ‘olha, eu estou falando a verdade como eu a vejo… e a verdade hoje pode não ser bonita; a verdade hoje pode ser ‘eu sequer sinto que Deus seja real’.

E nós não conseguimos lidar isso. A Bíblia consegue! Ele nos dá o livro de Jó, o livro de Eclesiastes, ela nos diz que, no momento em que os discípulos encontravam o Cristo ressurreto, alguns duvidaram. Assim, dúvida é parte disso tanto quanto a fé, de modo que a arte carrega em si essa linda honestidade.

Quando você é honesto em relação à feiura da vida, isso é lindo. É estranho, é um paradoxo. Quando você tenta deixar tudo bonito, isso acaba parecendo vulgar. Essa é uma das grandes necessidades que temos:

Como sermos pessoas do Deus da verdade e redescobrir confiança e honestidade em nosso relacionamento com ele. Deus pode lidar com isso, nós às vezes não. Mas seria muito melhor para nós se conseguíssemos.

Assim, na música, na pintura, na arquitetura, no cinema que esteja verdadeiramente buscando a verdade eu penso que experimentamos Deus.

Mas se tentarmos mercadejar Deus como um comercial televisivo, isso o tornará menos real.

Brian McLaren

Ortodoxia Generosa

Estou concluindo a tradução do livro Ortodoxia Generosa de Brian McLaren, trabalho encomendado pelo Marcos Simas, para a Editora Palavra, de Brasília. O livro é “dinamite pura”, no bom sentido, é claro.

Recomendo de antemão sua leitura. Eu estava precisando ler algo assim. E acho que as pessoas que estão tentando cultivar uma espiritualidade honesta e sincera, e que pra isso têm de olhar pra si mesmas, suas histórias, decepções e tragédias religiosas irão agradecer.

Mais uma vez agradeço ao Marcos e ao Richard pela oportunidade e pelo privilégio de fazer parte dessa iniciativa.

Trabalho Novo

Meu novo Cd, que irá acompanhar o livro que estou escrevendo ainda sem título definido, está sendo arranjado pelo Cezar Elbert, que produziu o CD Presença em 1996.

Já pude ouvir algumas faixas pré-produzidas e gostei muito do que ouvi. Bem harmonizado com o sentimento e a proposta das canções.

Estas canções, como poucas dentre todas que eu já compus (mais de 300), carregam com elas pedaços da minha vida: dor, dúvida, contentamento, esperança, lágrimas e sorrisos.

Mais do que ninguém, estou ansioso para que o projeto como um todo fique pronto e chegue às mãos de quem quiser ouvi-lo e lê-lo.

Luz-Credo

Já faz um tempo que não tenho postado textos inteiros de terceiros no blog. De vez em quando, no entanto, têm coisas que valem a pena. Depois de vários dias em que a religião ocupou espaço nobre na mídia, nada como uma reflexão profunda sobre as nossas crenças.

Creio no Deus desaprisionado do Vaticano e de todas a religiões existentes e por existir. Deus que precede todos os batismos, pré-existe aos sacramentos e desborda de todas as doutrinas religiosas. Livre dos teólogos, derrama-se graciosamente no coração de todos, crentes e ateus, bons e maus, dos que se julgam salvos e dos que se crêem filhos da perdição, e dos que são indiferentes aos abismos misteriosos do pós-morte.

Creio no Deus que não tem religião, criador do Universo, doador da vida e da fé, presente em plenitude na natureza e nos seres humanos. Deus ourives em cada ínfimo elo das partículas elementares, da requintada arquitetura do cérebro humano ao sofisticado entrelaçamento do trio de quarks.

Creio no Deus que se faz sacramento em tudo que aproxima, atrai, enlaça, abraça e une – o amor. Todo amor é Deus e Deus é o real. Em se tratando de Deus, bem diz Rumî, não é o sedento que busca a água, é a água que busca o sedento. Basta manifestar sede e a água jorra.

Creio no Deus que se faz refração na história humana e resgata todas as vítimas de todo poder capaz de fazer o outro sofrer. Creio em teofanias permanentes e no espelho da alma que me faz ver um Outro que não sou eu. Creio no Deus que, como o calor do sol, sinto na pele, sem no entanto conseguir fitar ou agarrar o astro que me aquece.

Creio no Deus da fé de Jesus, Deus que se aninha no ventre vazio da mendiga e se deita na rede para descansar dos desmandos do mundo. Deus da Arca de Noé, dos cavalos de fogo de Elias, da baleia de Jonas. Deus que extrapola a nossa fé, discorda de nossos juízos e ri de nossas pretensões; enfada-se com nossos sermões moralistas e diverte-se quando o nosso destempero profere blasfêmias.

Creio no Deus que, na minha infância, plantou uma jabuticabeira em cada estrela e, na juventude, enciumou-se quando me viu beijar a primeira namorada. Deus festeiro e seresteiro, ele que criou a lua para enfeitar as noites de deleite e as auroras para emoldurar a sinfonia passarinha dos amanheceres.

Creio no Deus dos maníacos depressivos, das obsessões psicóticas, da esquizofrenia alucinada. Deus da arte que desnuda o real e faz a beleza resplandecer prenhe de densidade espiritual. Deus bailarino que, na ponta dos pés, entra em silêncio no palco do coração e, soada a música, arrebata-nos à saciedade.

Creio no Deus do estupor de Maria, da trilha laboral das formigas e do bocejo sideral dos buracos negros. Deus despojado, montado num jumento, sem pedra onde recostar a cabeça, aterrorizado pela própria fraqueza.

Creio no Deus que se esconde no avesso da razão atéia, observa o empenho dos cientistas em decifrar-lhe os jogos, encanta-se com a liturgia amorosa de corpos excretando sumos a embriagar espíritos.

Creio no Deus intangível ao ódio mais cruel, às diatribes explosivas, ao hediondo coração daqueles que se nutrem com a morte alheia. Misericordioso, Deus se agacha à nossa pequenez, suplica por um cafuné e pede colo, exausto frente à profusão de estultices humanas.

Creio sobretudo que Deus crê em mim, em cada um de nós, em todos os seres gerados pelo mistério abissal de três pessoas enlaçadas pelo amor e cuja suficiência desbordou nessa Criação sustentada, em todo o seu esplendor, pelo frágil fio de nosso ato de fé.

Frei Betto



Lançamentos

somosum.gifO Melhor de Mim Álbum Duplo - Esta coletânea, resultado da parceria com a EcoTVBrasil, é fruto de um projeto que se iniciou com o Livro-CD "Somos Um". Seu título, "O melhor de Mim", é o retrato de uma trajetória de mais de duas décadas dedicadas à produção e veiculação de música cristã brasileira

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somosum.gifSomos Um - Uma combinação de fragmentos biográficos, reminiscências, poesia e música, tudo ocupando um mesmo espaço e falando uma mesma língua. Juntamente com o livro, você adquire também um CD com essas mesmas canções, compostas especialmente para o projeto. Para ler e ouvir. Refletir e crescer.

Workshop

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Há vários anos Jorge tem ministrado o curso "Faça Suas Próprias Canções" em todo o Brasil e em outras partes do mundo. Trata-se de um módulo de 4 horas que aborda os temas "A importância da Poesia", "Técnicas para a elaboração de textos poéticos" (letras de música), e "Aula Prática"

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