
Bia me perguntou de onde veio a lua.
Revirei na memória resquícios de meus parcos conhecimentos de astronomia. O esforço foi vão. Resgatei informações mínimas e inúteis.
Parti então para o ataque. E a arma do artista, diferente das dos soldados, é a imaginação.
Disse a ela que a lua era filha da terra.
Sem titubear, Bia perguntou-me sobre as estrelas.
Eu disse que a terra era filha do sol, que era irmão das estrelas.
Que a lua, portanto, era neta das estrelas. O cosmos, o universo imensurável, feito de vácuo, de pó estelar, de cometas, de asteróides, de estrelas, planetas e luas, é todo ele uma grande família.
Constatei, mais uma vez, então, que os mistérios e as imensidões não se explicam, não são dissecados na mesa fria da lógica cientificista árida e sem vida.
Lembrei-me mais uma vez que a poesia e a arte se encarregam, não de explicar, mas de apresentar, de introduzir, de aproximar distâncias tão irreconciliáveis, grandezas tão avassaladoras, quando nos convidam a imaginar. Que elas nos tiram para dançar entre amigos e em amor a dança daqueles que nos amam: família.
Assim até a Trindade, ela mesma uma família coesa e amorosa que não se explica, dá sentido, traz inspiração à vida.
E Bia tem apenas cinco anos.
E Bia é fruto do meu amor.
E Bia é minha filha.
Parte iluminada de minha família.
Assuntos: artista, Família, lua, mistério




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