Gerson e eu não nos conhecemos há muito.
Certas amizades, no entanto, não carecem da chancela do tempo. Como poeta e músico que é, Gerson talvez entenda como poucos as nuances da minha alma. Por isso, nossos diálogos, independentemente do teor, são sempre prazerosos, profundos e produtivos.
Quando ouvi sua canção “Confissões” pela primeira vez, pensei comigo mesmo: esta é uma daquelas composições que Tunai descreveu tão bem em seu clássico gravado por Milton Nascimento, “Certas Canções”:
Certas canções que ouço
Cabem tão dentro de mim
Que perguntar carece:
Como não fui eu que fiz?
“Confissões” eu considero parte de minha trilha sonora pessoal, uma descrição sensível de mim mesmo e de meus anseios mais profundos. Ela diz assim:
Há uma fome no meu coração
Como se fosse uma África
Que precisando de muito, mas muito pão
Só encontrasse migalhas no chãoComo se fosse um motor
Sem combustível
Uma batalha interior,
Armagedom invisívelHá um navio ancorado no caís
Da minha alma exilada
Que tendo leme, marujos,
Tripulação
Ergue as velas e parte –
Eu não!Acho que você já percebeu
Desde bem cedo
Mais do que eu possa falar
Eu tenho muito medoMedo de te perder
Medo de me encontrar
Medo de partir
Mesmo se desconfiasse
Que seria melhor ficarMedo de morrer só
Ou de virar um Jó
Medo de secar
Se a vida de repente
Resolvesse desabrochar
Assuntos: alma, amizades, composições



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