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	<title>Jorge Camargo &#187; Família</title>
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	<description>Travessia - Uma viagem literário-musical de sensibilidade e espiritualidade.</description>
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		<title>DE ONDE VEIO A LUA?</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Feb 2010 14:15:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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Bia me perguntou de onde veio a lua.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-727" title="moon_5" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2010/02/moon_52.jpg" alt="moon_5" /></p>
<p>Bia me perguntou de onde veio a lua.</p>
<p>Revirei na memória resquícios de meus parcos conhecimentos de astronomia. O esforço foi vão. Resgatei informações mínimas e inúteis.</p>
<p>Parti então para o ataque. E a arma do artista, diferente das dos soldados, é a imaginação.</p>
<p>Disse a ela que a lua era filha da terra.</p>
<p>Sem titubear, Bia perguntou-me sobre as estrelas.</p>
<p>Eu disse que a terra era filha do sol, que era irmão das estrelas.</p>
<p>Que a lua, portanto, era neta das estrelas. O cosmos, o universo imensurável, feito de vácuo, de pó estelar, de cometas, de asteróides, de estrelas, planetas e luas, é todo ele uma grande família.</p>
<p>Constatei, mais uma vez, então, que os mistérios e as imensidões não se explicam, não são dissecados na mesa fria da lógica cientificista árida e sem vida.</p>
<p>Lembrei-me mais uma vez que a poesia e a arte se encarregam, não de explicar, mas de apresentar, de introduzir, de aproximar distâncias tão irreconciliáveis, grandezas tão avassaladoras, quando nos convidam a imaginar. <span><span><span><span>Que elas nos  tiram para dançar entre amigos e em amor  a dança daqueles que nos amam:  família.</span></span></span></span></p>
<p>Assim até a Trindade, ela mesma uma família coesa e amorosa que não se explica, dá sentido, traz inspiração à vida.</p>
<p>E Bia tem apenas cinco anos.</p>
<p>E Bia é fruto do meu amor.</p>
<p>E Bia é minha filha.</p>
<p>Parte iluminada de minha família.</p>
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		<title>Mude Um Destino</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 21:21:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu sei que os tempos são difíceis. A situação não anda fácil pra quase ninguém. As contas estão pela hora da morte. Entra ano, sai ano, e quando você pensa que a receita extra trará algum alívio, as despesas são&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sei que os tempos são difíceis. A situação não anda fácil pra quase ninguém. As contas estão pela hora da morte. Entra ano, sai ano, e quando você pensa que a receita extra trará algum alívio, as despesas são ainda mais extras e o alívio vira princípio de gastrite. E assim a vida (que já é tão curta) passa.</p>
<p>No balanço de quase tudo, tentamos levar em conta nossas aspirações, realizações, patrimônio, nosso legado de bens materiais para as futuras gerações. E então, aquilo que poderia nos servir de consolo nos incomoda ainda mais: a situação dos mais desfavorecidos, particularmente dos mais indefesos, ao nosso redor.</p>
<p>O cheque especial, o aluguel, a conta da TV a cabo, da internet, da prestação do laptop, tudo parece tão insignificante quando constatamos que há um mar de crianças anônimas a nos cercar e para quem essas coisas todas que mencionei são um sonho distante. O chão duro de suas realidades é feito de pedra, pó e poeira, formando um quadro por vezes aterrorizante e desolador.<br />
<span id="more-181"></span><br />
No passado, os abrigos eram chamados de orfanatos. Quase todos os que para lá eram encaminhados eram órfãos. No presente, 90 por cento das crianças e adolescentes que neles moram foram abandonados, agredidos, violentados sexualmente ou privados da convivência com seus pais biológicos cujas vidas foram destruídas pelas drogas ou que enveredaram pelo caminho do crime e hoje se encontram encarcerados.<br />
Estou dizendo tudo isso para expressar minha imensa alegria por ter recebido como presente antecipado de Natal minha nova filha, Verônica.</p>
<p>Verônica tem 4 anos e sete meses, é risonha, falante, muito carinhosa  e sapeca. Seus olhos marrons esverdeados refletem uma luz que não é comum a quem desde o nascimento viveu sucessivas experiências de abandono. Eles me dizem que sua vontade de viver, sua força interior, sua garra, sua determinação de ser feliz são maiores que todas as adversidades que enfrentou em seus curtos, porém intensos aninhos de vida.<br />
Os tempos ora são fáceis, ora difíceis.</p>
<p>As situações e suas dificuldades se repetirão. Contas, sempre teremos conosco. No correr dos anos, enquanto o mundo for mundo, os apertos irão e virão. A vida, no entanto, pode ser mais que uma passagem insignificante.</p>
<p>Por isso, penso que deixei de lado todas as minhas racionalizações, todos os muitos argumentos que insistiam em me convencer que receber como filha uma garota já crescidinha tinha lá seus desafios, alguns deles quase intransponíveis; que as despesas inevitavelmente aumentariam e que é preciso prudência, afinal de contas, o mundo requer de nós todas as precauções para que vivamos em segurança.</p>
<p>Pensei, no entanto, que para Verônica o desafio de juntar-se a uma nova família talvez fosse muito maior que o nosso; que o seu novo mundinho com mamãe, papai e sua irmãzinha mais nova seria muito mais inseguro e desafiador.</p>
<p>Ela, no entanto, não hesitou nem um só momento. Disse sim com seus bracinhos estendidos como os braços do Cristo Redentor, abertos sobre a Guanabara&#8230;</p>
<p>No balanço realmente de tudo, quero que o meu legado seja um legado de amor.<br />
E que a minha pequena gota d’água num deserto de desesperanças tenha o efeito multiplicador de uma chuva que, embora tardia, seja sempre renovadora.</p>
<p>Alguns me dizem que o meu gesto e o de minha família irão mudar um destino. No entanto, tenho a nítida sensação de que o meu é que foi mudado.</p>
<p>Para sempre.</p>
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		<title>Teus Altares</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Aug 2007 20:11:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Salmo 84 é um de meus textos preferidos da Escritura. De sua leitura constante até a canção foi um salto.
O ano em que escrevi essa melodia, coincidentemente, foi o de 1984.
Lembro-me vividamente de estar sentado sobre o&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Salmo 84 é um de meus textos preferidos da Escritura. De sua leitura constante até a canção foi um salto.</p>
<p>O ano em que escrevi essa melodia, coincidentemente, foi o de 1984.</p>
<p>Lembro-me vividamente de estar sentado sobre o tapete da sala que também havia sido meu quarto por muitos anos. À medida que a melodia se encaixava na harmonia simples, a emoção aumentava, e lágrimas corriam por sobre a minha face.</p>
<p>A batida que eu utilizava me fazia lembrar &#8220;Meu Bem Querer&#8221; do Djavan, que fazia muito sucesso na época, inspiração que eu a principio rejeitei. (Bobagens estéticas e religiosas &#8211; a música do Djavan é tão linda e inspiradora quanto o Salmo).</p>
<p>Meus pais, de origem humilde, abrigaram minha avó materna, dona Olga, uma mulher de olhos claros, azuis como o mar de Maceió, de gênio forte, marcada pela dor e pela luta, filha de italianos, ex-funcionária de fábrica no tradicional bairro do Brás em São Paulo, por muito tempo reduto da comunidade italiana da cidade, e que até os 35 anos havia tido 10 filhos e perdido oito deles antes dos dois anos de idade.</p>
<p>Como morávamos os quatro em uma casa de apenas um quarto, minha avó e eu repartíamos a sala.</p>
<p>Ela em sua cama, eu no sofá.</p>
<p>Foi assim até sua morte em 1980, quando eu tinha 17 anos. A partir de então, ganhei meu quarto-sala, espaço onde nasceram minhas primeiras canções, e a adaptação desse Salmo. A linguagem piedosa do texto, &#8220;o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo&#8221;, &#8220;mais vale um dia nos teus átrios do que mil nas tendas da perversidade&#8221;, &#8220;porque o Senhor Deus é sol e escudo, o Senhor dá graça e glória, nenhum bem sonega aos que andam retamente&#8221;, cativou meu coração.</p>
<p>Durante muito tempo quis ser como o salmista, como se isso fosse possível.<br />
Eu ainda não havia lido &#8220;&#8230;o qual passando pelo vale árido&#8230;&#8221;.</p>
<p>Hoje esta é a parte do Salmo que mais aprecio. Ela faz com que eu me sinta mais conectado com o personagem, e com o texto como um todo.</p>
<p>No ano seguinte (1985), passei a conviver regularmente com o Guilherme (Kerr), que escreveu a adaptação da terceira estrofe (Pois o Senhor é sol e escudo). O resto, é história.</p>
<p>Talvez seja minha canção mais conhecida Brasil afora, e uma de minhas preferidas.</p>
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		<title>Trecho do Meu Livro</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Feb 2007 09:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Leia um trecho do Livro-CD "Somos Um" de Jorge Camargo, com canções inéditas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Fale de Amor</strong></p>
<p>Fale de amor<br />
No espelho dágua de seus olhos<br />
Abra os portais do seu abraço<br />
Se for preciso, use palavras</p>
<p>Proclame a vida<br />
Em seu singelo esplendor<br />
Cantando ao vento<br />
A música do seu amor</p>
<p>O sol, a lua e as estrelas<br />
Mulheres, homens e animais<br />
Irmanados na riqueza<br />
Suprema que é viver em paz</p>
<p>Proclamem a vida<br />
Em seu singelo esplendor<br />
Cantando ao vento<br />
A música do seu amor</p>
<p>Fale de amor<br />
Trocando os sons pelo silêncio<br />
Tornando voz em gesto e ato<br />
Se for preciso, use palavras</p></blockquote>
<p>A música entrou em minha vida quando eu tinha treze anos. Minha tia Mariinha, carinhosamente chamada por todos na família de Inha, era a minha madrinha de batismo e me presenteou, em meu aniversário, com um violão vermelho Giannini, de cordas de aço. Nos primeiros minutos de contato, não nos entendemos muito bem: quebrei duas de suas cordas tentando afiná-lo.</p>
<p>Durante meses ele ficou largado em cima do guarda-roupa, ocupando espaço e juntando pó. No ano seguinte, o Cláudio, vizinho e amigo de muitos anos, indicou-me uma professora de violão, a dona Vivi. Com ela aprendi os primeiros acordes e formei meu primeiro repertório.</p>
<p>Hoje, quando revejo na mente como um filme seu violão sempre afinado e de som doce e refinado, ao mesmo tempo em que percebo suas muitas limitações, por outro lado reconheço o quanto era capaz de passar adiante o pouco que sabia.</p>
<p>Ainda espero encontrar dona Vivi para dizer muito obrigado por ter plantado em mim a boa semente do amor à música e hoje poder dizer, citando Caetano Veloso, “como é bom poder tocar um instrumento”.</p>
<p>Lembro-me com detalhes da primeira aula e da primeira canção que levei para casa, “O Vira” do grupo sensação da época, “Secos e Molhados”. Depois de meses de encontros semanais na sala da casa de dona Vivi, meu caderno estava repleto de canções com ritmos variados, todas padronizadas e escritas com a famosa caneta Bic: as letras em azul, as cifras e a indicação do ritmo em vermelho.</p>
<p>Cláudio e Walter, o “Pezão”, eram meus parceiros de futebol, embora nenhum dos três levasse muito jeito para a coisa. A falta de habilidade com a bola, no entanto, já não nos incomodava. Havíamos agora nos tornado parceiros na música. Ambos eram também alunos de dona Vivi.</p>
<p>Encontrávamo-nos regularmente para compartilhar nossas canções e as dificuldades no aprendizado de novos acordes, particularmente com a “pestana”, posição que exige o uso do dedo indicador inteiro estendido sobre a casa do violão servindo de apoio aos outros dedos na formação do acorde, e que é o terror de todos os iniciantes no instrumento.</p>
<p>Pouco tempo depois, conhecemos a Valéria, nossa colega de escola, uma garota comunicativa e simpática que também tocava e nos convidou para juntos “trocarmos figurinhas” musicais em sua casa. Aquele primeiro encontro determinou o rumo dos próximos vinte e oito anos de minha vida.</p>
<p>Do primeiro encontro, onde ouvi pela primeira vez um disco do grupo Vencedores, marcamos de nos ver novamente, dessa vez na igreja evangélica que Valéria freqüentava, um templo espaçoso em um bairro antigo e tradicional da cidade que em suas atividades reservava uma sala para adolescentes aos domingos à tarde.</p>
<p>O som das guitarras era envolvente e o senso de comunidade que o ambiente suscitava era acolhedor. Dezenas de meninos e meninas reunidos em um espaço apertado cantando a plenos pulmões, mãos unidas na canção final, sorrisos e abraços de boas vindas, essas coisas todas me marcaram profundamente.</p>
<p>E me fizeram querer ser parte de tudo aquilo.</p>
<p>Poucas semanas depois eu já empunhava uma das guitarras no encontro semanal dos adolescentes. Em meses, apresentava minhas primeiras composições nos cultos dominicais noturnos, para centenas de pessoas. Minha vocação se manifestara de forma clara e límpida.</p>
<p>Quatro anos se passaram. Meu querido e, àquela altura, novo amigo Rubens, observando meu trabalho como músico, intérprete e compositor naquela comunidade, apresentou-me a alguns membros do grupo Vencedores por Cristo, uma organização religiosa e artística que recrutava jovens de várias comunidades evangélicas do país, oferecendo treinamento em diversas áreas que incluía, entre outras, música. Os jovens selecionados formavam um grupo musical (cujo nome era Vencedores, seguido do número da equipe) que recebia todo o apoio da organização e viajava para uma determinada região do Brasil visitando igrejas, hospitais, prisões, praças públicas, canais de rádio e TV, colocando em prática os ensinamentos adquiridos durante a fase de treinamento. Ao final da viagem, eram “devolvidos” às suas comunidades numa noite de celebração, quando um relatório era prestado sobre as atividades da equipe.</p>
<p>O sustento da organização vinha, entre outras fontes, da gravação de discos cujos músicos que deles participavam eram os jovens que nas equipes se destacavam por suas habilidades musicais e emprestavam seu talento ao grupo. Participei de várias dessas gravações até começar a produzir meus próprios discos no final da década de 1980.</p>
<p>O trabalho com Vencedores me abriu portas, janelas e horizontes. Nas muitas viagens que fiz com as equipes visitei as mais variadas comunidades cristãs, como variadas são as regiões deste país, com seus inúmeros sotaques, estilos, influências e ambigüidades.</p>
<p>No dia a dia do trabalho musical conheci músicos, intérpretes e compositores maravilhosos como Sérgio Pimenta, Nelson Bomilcar, Guilherme Kerr, entre vários outros. Passei também a ter contato com a obra de muitos artistas de outros países como Graham Kendrick na Inglaterra e Keith Green, Phil Keaggy, Michael Card e John Michael Talbot nos Estados Unidos, estes dois últimos com uma história interessante, que me levou até Francisco.</p>
<p>Michael Card, de formação protestante, é conhecido nos Estados Unidos e em outras partes do mundo como um compositor de música cristã de conteúdo sólido, inspirada nas Escrituras, e de compromisso com a reflexão. John Michael Talbot é líder de uma comunidade, a Irmãos e Irmãs de Caridade, e o intérprete e compositor católico mais difundido nos Estados Unidos.</p>
<p>Amigos de muitos anos, em 1996 eles produziram um disco juntos, Brother to Brother (De irmão para irmão). A obra recebeu várias críticas dos setores protestantes mais conservadores por insinuar uma relação ecumênica entre Card e Talbot. E pensar que muitos dos críticos, senão todos, talvez não tenham tido a oportunidade e a disposição de ouvir o resultado final da produção, de rara beleza e encantamento!</p>
<p>Sempre admirei a obra de Talbot e Card, cada um dentro de sua tradição. Michael por produzir álbuns temáticos, que revelam a dedicação à pesquisa e um autêntico mergulho do autor nos temas abordados. John por sua busca às raízes de sua fé, lançando mão da obra e da vida de vários personagens da história do cristianismo para transformá-los em melodia, harmonia e ritmo. Uma de suas canções é intitulada “Lady Poverty” (Senhora Pobreza), inspirada em Francisco:</p>
<blockquote><p>“Lady Poverty,</p>
<p>Enter my door</p>
<p>Give me the riches</p>
<p>Of my Lord”</p></blockquote>
<blockquote><p>“Senhora Pobreza,</p>
<p>Entre em minha porta,</p>
<p>Dê-me as riquezas</p>
<p>De meu Senhor”</p></blockquote>
<p>Ao ouvi-la, relacionei-a de imediato ao grande líder e místico cristão nascido no século XII na cidade italiana de Assis de família nobre e que, tendo se convertido a Deus enquanto prisioneiro de guerra em Perugia, anos depois criou uma ordem religiosa que leva seu nome, a dos Franciscanos.</p>
<p>Por muitos tido como louco, Francisco levou às últimas conseqüências seu compromisso de fé. Despojou-se de todas as riquezas e viveu o resto da vida dedicado aos pobres e marginalizados. Enfrentou conflitos com o poder religioso de sua época, mas resistiu às pressões sem violência, no que me lembra Ghandi e Martin Luther King.</p>
<p>Ele por certo teria dificuldade de estar filiado a alguma entidade religiosa de peso no mundo atual. Suas idéias de que Cristo teria sido um mendigo, sua insistência em chamar a pobreza de sua senhora e de amá-la a tal ponto de, ao ver alguém mais pobre que ele sentir ciúmes, fazem de Francisco um cidadão em descompasso com o nosso tempo, mas, ao mesmo tempo, desesperadamente necessário.</p>
<p>Em dias de exaltação a líderes religiosos personalistas, a resposta de Francisco quando indagado pelo bispo de Óstia acerca da possibilidade de que seus frades fossem elevados à condição de bispos e prelados que prevalecessem sobre os outros por seu ensinamento e exemplo respondeu, “senhor, meus frades são chamados menores para que não tenham a pretensão de ser maiores”.</p>
<p>É célebre o amor de Francisco pelos animais, platéia de muitas de suas pregações. Tirava vermes do caminho, temeroso de que fossem esmagados pelos transeuntes. Servia às abelhas com mel e vinho para que não morressem de frio. A todos os animais chamava irmãos.</p>
<p>Uma existência assim tão radicalmente entregue ao sabor do amor à vida, às pessoas e à natureza é como uma canção.</p>
<p>Original e única.</p>
<p>Inspiradora e bela.</p>
<p>Como as canções que, para mim, são Card, Cláudio, Talbot, Walter, Keaggy, Valéria, Green, Rubens, Inha e Vivi.</p>
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		<title>A Sinfonia da Saudade</title>
		<link>http://www.jorgecamargo.com.br/blog/a-sinfonia-da-saudade/</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Dec 2006 09:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguns dias se passaram e as pessoas que me acolheram em minha dor e perplexidade, retomaram suas rotinas até serem elas mesmas vitimadas por essa mesma dor e perplexidade.
Nada mais natural. Faz parte da nossa condição. Eu mesmo, quase&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dias se passaram e as pessoas que me acolheram em minha dor e perplexidade, retomaram suas rotinas até serem elas mesmas vitimadas por essa mesma dor e perplexidade.</p>
<p>Nada mais natural. Faz parte da nossa condição. Eu mesmo, quase que imediatamente retomei meus afazeres, ocupei a mente com responsabilidades, prazos, projetos, preocupações&#8230; O que fica é uma outra sintonia soando persistente quase que inaudível, composta por acordes longos e tensos e ao mesmo tempo delicados e doces.</p>
<p>Paradoxo da presença que está ausente, da ausência que está presente. Como parte dessa sinfonia, um poema do amigo e poeta Gerson Borges,</p>
<blockquote><p><strong>Sobretudo Quando Chove</strong></p>
<p>Se apenas uma escolha me restasse<br />
Eu levaria o pôr-de-sol<br />
Ou se uma só herança me bastasse<br />
Um rouxinol<br />
Que cantasse a dor das distâncias<br />
E curasse essa saudade<br />
A me invadir enquanto eu canto<br />
Sobretudo quando chove</p>
<p>Se toda a poesia numa palavra<br />
Eu ficaria com jardim<br />
E um tipo só de arbusto ali se lavra<br />
O alecrim<br />
Concentrando o cheiro do longe<br />
Acalmando essa saudade<br />
A me invadir enquanto eu canto<br />
Sobretudo quando chove</p>
<p>E chove, e chove, chove sem parar<br />
Enquanto eu canto, canto<br />
Ao te esperar</p>
<p>Se cada vez que eu penso no teu rosto<br />
Vento virasse um vendaval<br />
Desabaria o céu com muito gosto<br />
Que temporal!<br />
Tormenta no mar da memória<br />
Rimando com essa saudade<br />
A me invadir enquanto eu canto<br />
Sobretudo quando chove&#8221;</p></blockquote>
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		<title>A Sinfonia do Perdão</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Nov 2006 12:16:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<category><![CDATA[Perdão]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última terça-feira (21/11), minha mãe Vanira, levantou mais cedo que de costume. Sentou na cadeira da sala de jantar e puxou uma conversa leve e descompromissada com meu pai.
Surpreso com sua presença inesperada, seu Jorge, o &#8220;preto&#8221; como&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na última terça-feira (21/11), minha mãe Vanira, levantou mais cedo que de costume. Sentou na cadeira da sala de jantar e puxou uma conversa leve e descompromissada com meu pai.</p>
<p>Surpreso com sua presença inesperada, seu Jorge, o &#8220;preto&#8221; como era carinhosamente chamado por ela, esticou o bate-papo.</p>
<p>Minutos depois, ela reclamou de uma dor no peito e foi se deitar. Ele a acompanhou.</p>
<p>Ao lado da cama, a frase inesperada: &#8220;Preto, me perdoe. Me perdoe pelas palavras ásperas e pelas dores que lhe causei nesses anos juntos (quarenta e seis, pra ser mais exato).</p>
<p>&#8220;Eu é que te peço perdão!&#8221;, ele respondeu.</p>
<p>Foram as últimas palavras de minha mãe.</p>
<p>Naquele quarto apertado de uma casa pequena e simples perdida na periferia da grande cidade uma obra de rara beleza foi executada. O tema? A Sinfonia do Perdão.</p>
<p>Aqui nesse mundinho fétido, apenas dois seres que se amaram e que foram cúmplices e parceiros de vida ouviram-na em toda a sua exuberância.</p>
<p>No céu, míriades de anjos e Seu Grande Compositor testemunharam-na.</p>
<p>Minhas lágrimas apenas captaram o eco de seus últimos acordes e registraram-na em minha alma como a mais linda obra musical que eu ouvi em toda a minha vida.</p>
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		<title>Gratidão</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Nov 2006 10:41:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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Mãe, Pai e Bia
Mãe,
Sou muito grato (muito mais do que qualquer palavra que eu pudesse escrever) a Deus por sua vida, e por tudo o que você representou e representa pra mim.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="imagelink" title="Pai, Mãe e Bia" href="http://www.jorgecamargo.com.br/blog/wp-content/uploads/2006/11/mae-pai-e-bia.jpg"><img id="image133" src="http://www.jorgecamargo.com.br/blog/wp-content/uploads/2006/11/mae-pai-e-bia.thumbnail.jpg" alt="Pai, Mãe e Bia" /></a><br />
Mãe, Pai e Bia</p>
<p>Mãe,</p>
<p>Sou muito grato (muito mais do que qualquer palavra que eu pudesse escrever) a Deus por sua vida, e por tudo o que você representou e representa pra mim.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Menina Sonhadora II</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Nov 2006 12:22:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>

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		<description><![CDATA[Tempos atrás escrevi neste blog sobre uma menina sonhadora, minha mãe Vanira. Ela havia nos dado um susto, indo parar em uma UTI.
Hoje pela manhã fui acordado com o telefonema aflito de meu pai, dizendo que minha mãe não&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tempos atrás escrevi neste blog sobre uma <a href="http://www.jorgecamargo.com.br/blog/blog/menina-sonhadora/">menina sonhadora</a>, minha mãe Vanira. Ela havia nos dado um susto, indo parar em uma UTI.</p>
<p>Hoje pela manhã fui acordado com o telefonema aflito de meu pai, dizendo que minha mãe não estava bem. Antes que eu ou o resgate pudéssemos fazer qualquer coisa, ela partiu.</p>
<p>E o meu coração também partiu(-se)&#8230;em muitos pedaços.</p>
<p>Mas embora doído, ele está grato por tudo que essa menina sonhadora me deu. Desde a vida até os sonhos.</p>
<p>Outra hora escrevo mais.</p>
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		<title>Heróis entre nós, e por nós</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Mar 2006 00:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eles agora não demonstram mais super poderes, não voam, têm mais perguntas que respostas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando criança, uma de minhas primeiras lembranças é a de minha avó Olga, pacientemente sentada ao lado de sua máquina de costura mágica, tentando transformar os vários pedaços de retalho numa capa colorida, com a qual eu seria revestido logo depois, para sair &#8220;voando&#8221; espaço afora, igualzinho aos heróis que acabara de ver na televisão, ainda que, ao contrário deles, minhas aterrissagens fossem, na maioria das vezes, de boca, no chão de terra da frondosa mangueira no fundo do quintal amplo de casa.</p>
<p>Na adolescência, meus super heróis, por conta da rebeldia natural desse tempo, passaram a ser os anti-heróis, os autênticos representantes da revolta ao sistema e aos padrões estabelecidos. Eles agora não demonstram mais super poderes, não voam,  têm mais perguntas que respostas, o que ironicamente os torna mais poderosos que os valentes de meu passado ainda recente de criança.</p>
<h2>Mais heróis e mitológicos que nunca.</h2>
<p>No contato com o evangelho, surgem novos referenciais de conduta, desta vez os denominados heróis da fé. Homens e mulheres como você e eu, mas cujos encontros e caminhadas de vida com Deus os tornam especiais. (Aqui, tenho que fazer um parêntese, para expressar minha angústia quando tento comparar minha vida com a deles&#8230; acho que é a angústia básica de todos os que por eles nutrem respeito e admiração. Poderíamos eu e você sermos colocados na mesma categoria que a desses grandes personagens? Duvido. Até mesmo porque, creio que a grande causadora dessa inquietação é nossa tentativa de categorizá-los, superestimando seus poderes e subestimando sua humanidade!).</p>
<h2>Afinal, o que significa ser um herói?</h2>
<p>Uma definição acurada seria: ser alguém que se distingue por coragem extraordinária na guerra ou diante de outro qualquer perigo; que suporta exemplarmente um destino incomum, como, por exemplo, um extremo infortúnio ou sofrimento, ou que arrisca sua vida abnegadamente pelo seu dever ou pelo próximo; personagem preeminente ou central que, por sua parte admirável em uma ação ou evento notável, é considerada um modelo de nobreza.</p>
<p>Invariavelmente, diante destas definições técnico-literárias de quem seria um verdadeiro herói, é impossível deixar de pensar em pessoas comuns com as quais convivemos ou temos convivido em nossas comunidades, cuja paixão por Deus e por gente nos constrange, às vezes até incomoda. Pessoas que se candidatam a um campo missionário que não significa necessariamente uma terra distante, podendo ser, por exemplo, o campo dos  descamisados urbanos, dos párias, ou até mesmo dos marginalizados no seio da própria igreja!</p>
<p>Esses homens e mulheres que por tantas vezes sentam-se ao nosso lado nas celebrações dominicais são nossos heróis contemporâneos,  muito embora ignoremos essa possível menção honrosa e pública  ou até mesmo suas presenças.</p>
<p>Mas lá estão eles, pra nos dizer, na maioria das vezes sem palavras, que a vocação para atos heróicos não é privilégio de alguns. É chamado de todos. Afinal, viver o amor até as últimas conseqüências, praticar a compaixão e a misericórdia, sonhar os sonhos de Deus e deixar-se abandonar na imensidão de Seus propósitos não deixa de ser uma postura heróica. Talvez anônima, talvez quase imperceptível por nossa sociedade globalizada e tão insensível. Mas com certeza cativante, sedutora, encantadora.</p>
<p>Que o nosso grande Super-Herói possa inspirar-nos todos a atitudes que expressem a coragem e a ousadia de seus autênticos discípulos heróicos&#8230;</p>
<p>Tenho saudades da minha capa colorida.</p>
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		<title>Menina Sonhadora</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2005 21:30:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma vez uma menina sonhadora. A famosa “raspa de tacho”. Sua mãe, filha de italianos havia se casado e tido 10 filhos. Oito morreram antes dos dois anos de idade. Aos 36 anos, viúva, essa mãe sofrida encontra um&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era uma vez uma menina sonhadora. A famosa “raspa de tacho”. Sua mãe, filha de italianos havia se casado e tido 10 filhos. Oito morreram antes dos dois anos de idade. Aos 36 anos, viúva, essa mãe sofrida encontra um português que por ela se apaixona. Em pouco tempo eles se casam e a menina que ama sonhar nasce pra dar ainda mais sabor a essa união inesperada.</p>
<p>Aos 17 anos, essa menina que tem a cabeça nas nuvens parte, com seu pai, para uma viagem de seis meses a Portugal. Eles vão de navio. Como ela havia sonhado. Até hoje, 48 anos depois, as imagens, sensações e memórias dessa viagem permanecem intactos, como que imunes ao tempo.</p>
<p>A menina volta, tempos depois se casa com seu grande amor e vive uma vida de muitas lutas, desejos não realizados e sonhos frustrados. O maior deles talvez tenha sido o de não ter conseguido seguir adiante nos estudos.</p>
<p>Ela, no entanto, sempre adorou ouvir histórias e recontá-las. Passei minha infância e vez por outra ainda passo horas ouvindo seus casos, comentários sobre filmes e livros, percepções acerca da vida.<br />
Essa paixão pela imaginação a tornou uma mulher sábia e perspicaz, simpática e carinhosa, amiga, querida por muitos.</p>
<p>Semana passada a menina sonhadora deu um susto na gente. Foi parar na UTI. Felizmente já saiu. Sua presença no almoço do próximo dia 25 será o maior presente de natal que eu poderia receber. Além, é claro, da herança de sonho e de amor às histórias que eu, como filho, recebi de bom grado e quero passar adiante aos meus.</p>
<p>Se eu pude aprender a tocar um instrumento (como é bom poder tocar um instrumento!), escrever canções, viajar levando-as comigo e repartindo-as com os outros mundo afora, devo boa parte disso a essa eterna menina sonhadora que me ensinou o amor às letras e às viagens por terras nunca dantes navegadas.</p>
<p>Obrigado mãe.</p>
<p>Feliz natal, mais um entre nós.</p>
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