<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"
	xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
>

<channel>
	<title>Jorge Camargo &#187; História</title>
	<atom:link href="http://www.jorgecamargo.com.br/tag/historia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.jorgecamargo.com.br</link>
	<description>Travessia - Uma viagem literário-musical de sensibilidade e espiritualidade.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 21 Aug 2010 03:00:00 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.6</generator>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
		<!-- podcast_generator="podPress/8.8" -->
		<copyright>&#xA9;Sala de Estar </copyright>
		<managingEditor>contato@jorgecamargo.com.br (Sala de Estar)</managingEditor>
		<webMaster>contato@jorgecamargo.com.br(Sala de Estar)</webMaster>
		<category>Musica, Espiritualidade</category>
		<ttl>1440</ttl>
		<itunes:keywords>Musica, Espiritualidade</itunes:keywords>
		<itunes:subtitle>Jorge Camargo</itunes:subtitle>
		<itunes:summary>Uma viagem literaacute;rio-musical de sensibilidade e espiritualidade.</itunes:summary>
		<itunes:author>Sala de Estar</itunes:author>
		<itunes:category text="Arts">
  <itunes:category text="Performing Arts"/>
</itunes:category>
<itunes:category text="Music"/>
<itunes:category text="Religion &amp; Spirituality">
  <itunes:category text="Christianity"/>
</itunes:category>
		<itunes:owner>
			<itunes:name>Sala de Estar</itunes:name>
			<itunes:email>contato@jorgecamargo.com.br</itunes:email>
		</itunes:owner>
		<itunes:block>No</itunes:block>
		<itunes:explicit>no</itunes:explicit>
		<itunes:image href="http://www.jorgecamargo.com.br/podcasts/jcamargopodcast300.jpg" />
		<image>
			<url>http://www.jorgecamargo.com.br/podcasts/jcamargopodcast144.jpg</url>
			<title>Jorge Camargo</title>
			<link>http://www.jorgecamargo.com.br</link>
			<width>144</width>
			<height>144</height>
		</image>
		<item>
		<title>A Música e Eu</title>
		<link>http://www.jorgecamargo.com.br/destaques/a-musica-e-eu/</link>
		<comments>http://www.jorgecamargo.com.br/destaques/a-musica-e-eu/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 06 May 2008 14:13:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[Cláudio]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Giannini]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Inha]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Secos & Molhados]]></category>
		<category><![CDATA[Somos Um]]></category>
		<category><![CDATA[Tia Mariinha]]></category>
		<category><![CDATA[Valéria]]></category>
		<category><![CDATA[Vivi]]></category>
		<category><![CDATA[Walter]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jorgecamargo.com.br/?p=293</guid>
		<description><![CDATA[A música entrou em minha vida quando eu tinha treze anos. Tia Mariinha, carinhosamente chamada por todos na família de Inha, era a minha madrinha de batismo e me presenteou, em meu aniversário, com um violão vermelho Giannini de cordas&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A música entrou em minha vida quando eu tinha treze anos. Tia Mariinha, carinhosamente chamada por todos na família de Inha, era a minha madrinha de batismo e me presenteou, em meu aniversário, com um violão vermelho Giannini de cordas de aço. Nos primeiros minutos de contato, não nos entendemos muito bem: quebrei duas de suas cordas tentando afiná-lo.</p>
<p>Durante meses ele ficou largado em cima do guarda-roupa, ocupando espaço e juntando pó. No ano seguinte, Cláudio, um vizinho e amigo de muitos anos, indicou-me uma professora de violão: a dona Vivi. Com ela aprendi os primeiros acordes e formei meu primeiro repertório. Hoje, quando revejo na mente como um filme seu violão sempre afinado e de som doce e refinado, ao mesmo tempo em que percebo suas muitas limitações, reconheço o quanto era capaz de passar adiante o pouco que sabia.</p>
<p><span id="more-293"></span></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-298" title="violao-e-livro" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/05/violao-e-livro.jpg" alt="" /></p>
<p>Ainda espero encontrar dona Vivi para dizer “muito obrigado” por ter plantado em mim a boa semente do amor à música e por hoje poder dizer, citando Caetano Veloso, &#8220;como é bom poder tocar um instrumento&#8221;.</p>
<p>Lembro-me com detalhes da primeira aula e da primeira canção que levei para casa: &#8220;O Vira&#8221; do grupo sensação da época, Secos e Molhados.</p>
<p>Depois de meses de encontros semanais na sala da casa de dona Vivi, meu caderno estava repleto de canções com ritmos variados, todas padronizadas e escritas com a famosa caneta Bic: as letras em azul, as cifras e a indicação do ritmo em vermelho.</p>
<p>Cláudio e Walter, o &#8220;Pezão&#8221;, eram meus parceiros de futebol, embora nenhum dos três levasse muito jeito para a coisa. A falta de habilidade com a bola, no entanto, já não nos incomodava. Havíamos nos tornado parceiros na música. Ambos eram também alunos de dona Vivi.</p>
<p>Encontrávamo-nos regularmente para compartilhar nossas canções e as dificuldades no aprendizado de novos acordes, particularmente com a &#8220;pestana&#8221; (posição que exige o uso do dedo indicador inteiro estendido sobre a casa do violão servindo de apoio aos outros dedos na formação do acorde, e que é o terror de todos os iniciantes no instrumento).</p>
<p>Pouco tempo depois, conhecemos a Valéria, nossa colega de escola; uma garota comunicativa e simpática que também tocava e nos convidou para juntos &#8220;trocarmos figurinhas&#8221; musicais em sua casa. Aquele primeiro encontro determinou o rumo dos próximos vinte e oito anos de minha vida.</p>
<p>Do primeiro encontro, em que ouvi pela primeira vez um disco do grupo Vencedores Por Cristo, marcamos de nos ver novamente, dessa vez na igreja evangélica que Valéria freqüentava: um templo espaçoso em um bairro antigo e tradicional da cidade e que em suas atividades reservava uma sala para adolescentes aos domingos à tarde.</p>
<p>O som das guitarras era envolvente e o senso de comunidade que o ambiente suscitava era acolhedor. Dezenas de meninos e meninas reunidos em um espaço apertado, cantando a plenos pulmões, mãos unidas na canção final, sorrisos e abraços de boas vindas, essas coisas todas me marcaram profundamente. E me fizeram querer ser parte de tudo aquilo.</p>
<p>Poucas semanas depois eu já empunhava uma das guitarras no encontro semanal dos adolescentes. Em alguns meses, apresentava minhas primeiras composições nos cultos dominicais noturnos, para centenas de pessoas.</p>
<p>Minha vocação se manifestara de forma clara e límpida.</p>
<p>(trecho do livro-cd Somos Um) <a href="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/05/violao-e-livro1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-295" title="violao-e-livro1" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/05/violao-e-livro1.jpg" alt="" /></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jorgecamargo.com.br/destaques/a-musica-e-eu/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Teus Altares</title>
		<link>http://www.jorgecamargo.com.br/blog/teus-altares/</link>
		<comments>http://www.jorgecamargo.com.br/blog/teus-altares/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Aug 2007 20:11:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog do Jorge]]></category>
		<category><![CDATA[Avó]]></category>
		<category><![CDATA[Djavan]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Kerr]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Olga]]></category>
		<category><![CDATA[Pais]]></category>
		<category><![CDATA[Salmos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jorgecamargo.com.br/blog/2007/08/14/teus-altares/</guid>
		<description><![CDATA[O Salmo 84 é um de meus textos preferidos da Escritura. De sua leitura constante até a canção foi um salto.
O ano em que escrevi essa melodia, coincidentemente, foi o de 1984.
Lembro-me vividamente de estar sentado sobre o&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Salmo 84 é um de meus textos preferidos da Escritura. De sua leitura constante até a canção foi um salto.</p>
<p>O ano em que escrevi essa melodia, coincidentemente, foi o de 1984.</p>
<p>Lembro-me vividamente de estar sentado sobre o tapete da sala que também havia sido meu quarto por muitos anos. À medida que a melodia se encaixava na harmonia simples, a emoção aumentava, e lágrimas corriam por sobre a minha face.</p>
<p>A batida que eu utilizava me fazia lembrar &#8220;Meu Bem Querer&#8221; do Djavan, que fazia muito sucesso na época, inspiração que eu a principio rejeitei. (Bobagens estéticas e religiosas &#8211; a música do Djavan é tão linda e inspiradora quanto o Salmo).</p>
<p>Meus pais, de origem humilde, abrigaram minha avó materna, dona Olga, uma mulher de olhos claros, azuis como o mar de Maceió, de gênio forte, marcada pela dor e pela luta, filha de italianos, ex-funcionária de fábrica no tradicional bairro do Brás em São Paulo, por muito tempo reduto da comunidade italiana da cidade, e que até os 35 anos havia tido 10 filhos e perdido oito deles antes dos dois anos de idade.</p>
<p>Como morávamos os quatro em uma casa de apenas um quarto, minha avó e eu repartíamos a sala.</p>
<p>Ela em sua cama, eu no sofá.</p>
<p>Foi assim até sua morte em 1980, quando eu tinha 17 anos. A partir de então, ganhei meu quarto-sala, espaço onde nasceram minhas primeiras canções, e a adaptação desse Salmo. A linguagem piedosa do texto, &#8220;o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo&#8221;, &#8220;mais vale um dia nos teus átrios do que mil nas tendas da perversidade&#8221;, &#8220;porque o Senhor Deus é sol e escudo, o Senhor dá graça e glória, nenhum bem sonega aos que andam retamente&#8221;, cativou meu coração.</p>
<p>Durante muito tempo quis ser como o salmista, como se isso fosse possível.<br />
Eu ainda não havia lido &#8220;&#8230;o qual passando pelo vale árido&#8230;&#8221;.</p>
<p>Hoje esta é a parte do Salmo que mais aprecio. Ela faz com que eu me sinta mais conectado com o personagem, e com o texto como um todo.</p>
<p>No ano seguinte (1985), passei a conviver regularmente com o Guilherme (Kerr), que escreveu a adaptação da terceira estrofe (Pois o Senhor é sol e escudo). O resto, é história.</p>
<p>Talvez seja minha canção mais conhecida Brasil afora, e uma de minhas preferidas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jorgecamargo.com.br/blog/teus-altares/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>De Vento em Popa &#8211; Fé cristã e MPB &#8211; Parte II</title>
		<link>http://www.jorgecamargo.com.br/artigos/de-vento-em-popa-fe-crista-e-mpb-parte-ii/</link>
		<comments>http://www.jorgecamargo.com.br/artigos/de-vento-em-popa-fe-crista-e-mpb-parte-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Mar 2007 22:56:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Abílio Chagas]]></category>
		<category><![CDATA[ABU]]></category>
		<category><![CDATA[Alceu Valença]]></category>
		<category><![CDATA[Aldir Blanc]]></category>
		<category><![CDATA[Aristeu Pires Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Atletas de Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Baden Powell]]></category>
		<category><![CDATA[Beatles]]></category>
		<category><![CDATA[Bela Vista]]></category>
		<category><![CDATA[Belchior]]></category>
		<category><![CDATA[Beto Guedes]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[Califórnia]]></category>
		<category><![CDATA[Calvary Chapel]]></category>
		<category><![CDATA[Canções]]></category>
		<category><![CDATA[Carlinhos Lira]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Citações]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[De Vento em Popa]]></category>
		<category><![CDATA[Dimas Pezzato]]></category>
		<category><![CDATA[Don Wyrtzen]]></category>
		<category><![CDATA[Ederly Chagas]]></category>
		<category><![CDATA[Edu Lobo]]></category>
		<category><![CDATA[Elis Regina]]></category>
		<category><![CDATA[Emilinha Borba]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Fagner]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Brant]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Venturini]]></category>
		<category><![CDATA[Garoto]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Vandré]]></category>
		<category><![CDATA[Gerson Ortega]]></category>
		<category><![CDATA[Gilberto Gil]]></category>
		<category><![CDATA[Gonzaguinha]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Kerr]]></category>
		<category><![CDATA[Harry Bollback]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Hora do Estudante]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Ivan Lins]]></category>
		<category><![CDATA[Jaime Kemp]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Movement]]></category>
		<category><![CDATA[João Bosco]]></category>
		<category><![CDATA[João Gilberto]]></category>
		<category><![CDATA[John W. Peterson]]></category>
		<category><![CDATA[Kleiton e Kledir]]></category>
		<category><![CDATA[Lô Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Bonfá]]></category>
		<category><![CDATA[Maranatha Music!]]></category>
		<category><![CDATA[Marlene]]></category>
		<category><![CDATA[Marlene Dietrich]]></category>
		<category><![CDATA[Martha Kerr]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Mestrado]]></category>
		<category><![CDATA[Milton Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Monografia]]></category>
		<category><![CDATA[Moraes Moreira e os Novos Baianos]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[MPB4]]></category>
		<category><![CDATA[Nelson Bomilcar]]></category>
		<category><![CDATA[Ney Matogrosso]]></category>
		<category><![CDATA[Noel Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[os mineiros Toninho Horta]]></category>
		<category><![CDATA[Os Mutantes]]></category>
		<category><![CDATA[Otis Skillings]]></category>
		<category><![CDATA[Palavra da Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Pelé]]></category>
		<category><![CDATA[Pixinguinha]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Quico Fagundes]]></category>
		<category><![CDATA[R. Stanphill]]></category>
		<category><![CDATA[Ralph Carmichael]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio Bandeirantes]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio Mayrink Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio Tupi]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Leoto]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Pimenta]]></category>
		<category><![CDATA[Secos e Molhados]]></category>
		<category><![CDATA[Tese]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Jobim]]></category>
		<category><![CDATA[Toquinho]]></category>
		<category><![CDATA[Tropicália]]></category>
		<category><![CDATA[Vencedores Por Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Villa-Lobos]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius de Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória De Martino Bonnaiutti]]></category>
		<category><![CDATA[VPC]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Tiso]]></category>
		<category><![CDATA[Wolô]]></category>
		<category><![CDATA[Wolodymir Boruszewski]]></category>
		<category><![CDATA[Word of Life]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jorgecamargo.com.br/blog/?p=247</guid>
		<description><![CDATA["Se eu Fosse Contar" representa mais um degrau no que poderia ser definido como um processo de abertura de VPC às influências da música brasileira da época.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No primeiro compacto de VPC – Vencedores por Cristo I, além da canção Mais que vencedores (que deu nome à organização), destaca-se a gravação de &#8220;Deus tem o mundo em suas mãos&#8221;, uma antiga canção gospel no sentido original da palavra, ou seja, uma música ao estilo que teve origem no canto dos escravos norte-americanos.</p>
<h2>Os primórdios – as canções e os momentos</h2>
<p>O acompanhamento instrumental era composto principalmente por órgão, violão e contra-balde, uma imitação criativa do que seria um contrabaixo, composta por um balde de alumínio com a face voltada para o chão e um cabo de vassouras afixado no centro de sua circunferência, com um barbante na ponta do cabo, que, ao ser pressionado e de acordo com determinada inclinação, produzia as notas desejadas.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-367 aligncenter" title="diss-figura-4" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/11/diss-figura-4.jpg" alt="Fonte: VPC" /></p>
<p>No segundo compacto, Vencedores por Cristo II, a canção Satisfação, composta por Ira R. Stanphill (1914-1994), músico norte-americano que se notabilizou por acompanhar pregadores dos movimentos avivalistas (Conhece-se como Movimentos Avivalistas os movimentos de avivamento surgidos na Inglaterra e Estados Unidos a partir do século XVIII) de meados do século XX, popularizou-se nas reuniões de jovens das comunidades evangélicas e nos acampamentos da época:</p>
<blockquote><p>Satisfação é ter a Cristo<br />
Não há melhor prazer já visto<br />
Eu sou de Jesus e agora sinto<br />
Satisfação sem fim</p>
<p>Sim paz real,<br />
Sim gozo na aflição<br />
Achei o segredo<br />
É Cristo no coração!</p></blockquote>
<p>No terceiro compacto, Vencedores por Cristo III, compõe o repertório, entre outras, a canção Não meu querer, de Harry Bollback, fundador do ministério Word of Life (Palavra da Vida), estabelecido no Brasil na década de 1960 e conhecido até hoje por sua rigidez doutrinária e nos usos e costumes. Jaime, no início de sua estada no Brasil, foi professor de teologia e música no Seminário Bíblico Palavra da Vida.</p>
<p>No quarto compacto, Vencedores por Cristo IV, entre algumas canções tradicionais de autor desconhecido, destacam-se composições de John W. Peterson e Don Wyrtzen, ambos compositores de renome no cenário da música sacra norte-americana entre as décadas de 1950 e 1960, o que concedia ao grupo um status de modernidade e atualidade, mas que também gerava críticas vindas dos círculos conservadores da época, que eram maioria no Brasil.</p>
<p>O quinto compacto, Vencedores por Cristo V, inclui duas canções de Otis Skillings, compositor e maestro norte-americano, famoso por suas cantatas no início dos anos 1970.</p>
<h2>Fale do Amor</h2>
<p>Em Fale do Amor, primeiro LP gravado em 1971, a música que dá título ao disco foi composta por Ralph Carmichael, maestro e compositor norte-americano cujas canções seriam, nos anos seguintes, marca registrada do trabalho de Vencedores. Dentre elas, destaca-se Nas Estrelas:</p>
<blockquote><p>Nas estrelas vejo a sua mão<br />
E no vento ouço a sua voz<br />
Deus domina sobre terra e mar<br />
O que ele é pra mim?</p>
<p>Eu sei o sentido do natal<br />
Pois na história tem o seu lugar<br />
Cristo veio para nos salvar<br />
O que ele é pra mim?</p>
<p>Até que um dia seu amor senti<br />
Sua imensa graça recebi<br />
Descobri então que Deus não vive longe lá no céu<br />
Sem se importar comigo</p>
<p>Mas agora ao meu lado está<br />
Cada dia sinto o seu cuidar<br />
Ajudando-me a caminhar<br />
Tudo ele é pra mim</p></blockquote>
<p>Regravada no LP Se eu fosse contar, de 1973, Nas Estrelas foi uma das canções mais difundidas de Vencedores nesta primeira fase, anterior aos compositores nacionais. Tornou-se presença quase que obrigatória nos hinários da maioria das igrejas no país.</p>
<h2>Novos Caminhos</h2>
<p>O LP seguinte, Novos Caminhos, além da canção de Ralph Carmichael que dá título ao disco, entre outras deste compositor, traz uma inovação: uma canção de um compositor nacional, Sérgio Ricardo Leoto. Além do fato de ser Leoto um compositor brasileiro incluído neste repertório, sua história possui pelo menos um dado relevante. Ele é sobrinho da cantora Marlene, famosa intérprete da música popular brasileira, coroada rainha do rádio em 1949.</p>
<p>Nascida no ano de 1924 como Vitória De Martino Bonnaiutti, em São Paulo, no bairro da Bela Vista, Marlene começou a carreira aos 13 anos no programa Hora do Estudante, na Rádio Bandeirantes. Aos 16 anos, estreou como profissional na Rádio Tupi, onde adotou o nome artístico de Marlene, influenciada pela fama da atriz Marlene Dietrich. Pouco tempo depois mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi trabalhar no Cassino da Urca, contratada pela Rádio Mayrink Veiga e em seguida pela Rádio Globo. O sucesso mesmo só veio com a sua ida para a Rádio Nacional, em 1948.</p>
<p>Nos anos que se seguiram, além da famosa rivalidade com a cantora Emilinha Borba, Marlene construiu uma sólida carreira, servindo como referência para outros grandes nomes da MPB, entre eles, o de Elis Regina.</p>
<p>Sérgio, de tradição batista, foi por certo influenciado musicalmente pela tia ilustre, vindo ele mesmo a ser uma influência estética no trabalho de Vencedores e tendo participado anos depois, entre outros, do De Vento em Popa como intérprete, e do Tanto Amor (álbum lançado em 1980), também como compositor.</p>
<h2>Se eu Fosse Contar</h2>
<p>Em 1973 a 12ª equipe de Vencedores lança o disco Se eu fosse contar. Além de Dimas Pezzato (que já havia participado da terceira equipe), violonista e baixista que viria também a tomar parte na gravação do De Vento em Popa, surge um outro nome importante que comporia o grupo responsável pela concepção e pela produção do De Vento em Popa. Trata-se de Guilherme Kerr Neto, que teve sua primeira participação em Vencedores na nona equipe, em 1972.</p>
<p>Nascido no interior do estado de São Paulo, de família presbiteriana e após uma adolescência conturbada, Guilherme reconsagra-se à fé cristã em um acampamento de jovens e, em pouco tempo, por conta de suas habilidades musicais, literárias e lingüísticas, passa a desempenhar um papel chave no processo de aproximação do trabalho de Vencedores com a cultura brasileira.</p>
<p>Se eu fosse contar representa mais um degrau no que poderia ser definido como um processo de abertura de VPC às influências da música brasileira da época. Ele inclui em seu repertório duas canções de autores nacionais: Aleluia, de Martha Kerr, e uma marcha-rancho escrita por Wolodymir Boruszewski (Wolodymir Boruszewski, engenheiro aeronáutico (ITA-74), mestre e doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e coordenador do curso de Matemática e Física da Universidade Taubaté, é, além disso, compositor de mais de uma centena de canções, conhecidas desde os anos 70. Sua discografia inclui “O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá”, “Cristal” e “Espiritualmente”), ou simplesmente Wolô, jovem oriundo da Aliança Bíblica Universitária (ABU), cujas composições refletiam um trabalho voltado para a contextualização da mensagem cristã através da arte.  Algo mais é um exemplo dessa abertura:</p>
<blockquote><p>Antes mesmo que eu fosse alguém<br />
Tu me amas-te e me disseste “vem”<br />
Mesmo sendo tão rebelde e vão<br />
Tu me amaste e me estendeste a mão</p>
<p>Já me deste tanto amor e paz<br />
Que eu só te peço uma coisinha a mais<br />
Pra que eu possa cumprir a minha parte<br />
Ensina-me Senhor a amar-te</p></blockquote>
<h2>Deixa de Brincadeira</h2>
<p>Em 1974 a 16ª equipe gravou um compacto duplo, o Deixa de brincadeira. A canção que dá título ao disco foi escrita por Aristeu Pires Jr. (Aristeu Pires Jr., baiano com influências goianas, engenheiro, é empresário no ramo mobiliário em Gramado/RS. Sua discografia inclui “Entrosando o Time”, produzido por Atletas de Cristo), compositor, violonista e intérprete que anos depois viria a participar da gravação do De Vento em Popa. Embora não tivesse sido membro de uma equipe até então (o que só viria a ocorrer em janeiro de 1977, na 23a equipe), a inclusão desta canção de Aristeu já era fruto das muitas andanças de Vencedores pelo país, quando o grupo passou a ter contato com jovens compositores, instrumentistas e intérpretes de outras regiões. Seja a Paz, adaptação de Guilherme Kerr e Sérgio Leoto do texto bíblico da Carta do Apóstolo São Paulo aos Colossenses (3:15-16) e Deixa de Brincadeira são os primeiros sambas gravados por VPC.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-369 aligncenter" title="diss-figura-5" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/11/diss-figura-5.jpg" alt="" /></p>
<p>Aristeu, de origem presbiteriana, seria, dentre todos os que participaram do disco, o mais ousado dos compositores e intérpretes. Aristeu é o autor e compositor da canção que daria título ao disco.</p>
<p>Foi fortemente influenciado pela música brasileira politicamente engajada da época e particularmente pela obra de Chico Buarque. Além da canção “De Vento em Popa”, seria também o autor de Salmo 139, A Roseira e Canção para Pedro.</p>
<p>Além da música de Aristeu, a 16a equipe introduz no cenário musical de Vencedores dois jovens talentos que viriam a contribuir de maneira significativa para o De Vento em Popa: Gerson Ortega, pianista e arranjador, e Nelson Bomilcar, intérprete e multi-instrumentista.</p>
<h2>Louvor</h2>
<p><img class="size-full wp-image-370 alignright" title="diss-figura-6" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/11/diss-figura-6.jpg" alt="" />No ano de 1975, a 17ª equipe viajou o ano inteiro, ininterruptamente, por todas as regiões do país. Esta experiência produziu um impacto permanente em todos os que dela participaram.</p>
<p>Por certo o contato com a realidade do Brasil, com a variedade e diversidade de expressões da fé cristã nas muitas comunidades visitadas e, principalmente, o contato com as pessoas, em particular jovens músicos, intérpretes e compositores, pavimentou o caminho para uma produção que contemplasse o talento dos compositores e intérpretes nacionais.</p>
<p>A equipe gravou um disco intitulado Louvor. Nas muitas faixas internacionais, no entanto, nota-se uma mudança. As canções Louva a Deus, Buscai primeiro, Pai eu te adoro, Pai de amor e Faz-me chegar, são todas versões de um trabalho recém-iniciado nos Estados Unidos pela Maranatha Music!, um selo musical apoiado pela Igreja Calvary Chapel, da Califórnia, que foi fruto de um movimento religioso denominado Jesus Movement.</p>
<h2>O Movimento Jesus</h2>
<p>No final da década de 1960 hippies convertidos ao cristianismo não encontraram espaço nas igrejas tradicionais nos Estados Unidos. Passaram então a criar pequenas comunidades, preservando alguns dos valores da cultura hippie, entre eles a música, que passou a estar mais sintonizada esteticamente com a música veiculada na mídia da época. Nesse aspecto, há um paralelo entre o trabalho musical de Vencedores e a proposta do Jesus Movement: em ambos há uma aproximação estética da música com a cultura na qual estão inseridos.</p>
<p>Além das já mencionadas canções, há também Consagração (novamente de Martha Kerr), inspirada no texto da Primeira Carta do Apóstolo São Paulo a Timóteo (4.12):</p>
<blockquote><p>Seja o meu canto<br />
Para sempre só pra te louvar<br />
Seja tão somente, eternamente<br />
Pra te adorar<br />
Seja o recado<br />
Que tu tens hoje aqui pra dar<br />
Mas possa eu trazer na mente<br />
Que tu és quem o dá</p>
<p>Seja minha vida<br />
O padrão daquilo que eu falar<br />
No procedimento<br />
O exemplo aos fiéis levar<br />
Na pureza grande<br />
E também na fé e no amor<br />
Mas possa eu lembrar-me sempre<br />
Que dependo de ti Senhor</p></blockquote>
<p>Guilherme Kerr participa com duas canções, uma adaptação do Salmo 108 e Mente e Coração:</p>
<blockquote><p>Ah, como é bom poder<br />
Aos pés da cruz depositar<br />
Este meu fardo pesado e árduo<br />
De carregar<br />
E não ter que andar ansioso de nada senão</p>
<p>A Deus tudo levar em grata e súplice oração<br />
E a paz de Deus então<br />
Mente e coração guardará<br />
Em Cristo Jesus</p>
<p>E não ter que andar ansioso de nada senão<br />
Sobre ele lançar cada problema, cada aflição<br />
E a paz de Deus então<br />
Mente e coração guardará<br />
Em cristo Jesus</p>
<p>Ah, como é bom poder&#8230; Como é bom saber!</p></blockquote>
<p>Em janeiro de 1977 a 23ª equipe, além da presença de Guilherme Kerr e de Gerson Ortega, conta também com dois irmãos, Ederly e Abílio Chagas, de Bauru, presbiterianos de origem e que viriam, meses depois, a contribuir com suas vozes e composições para o trabalho do De Vento em Popa.</p>
<p>Entretanto, mesmo com as presenças destas tantas pessoas, predominam no disco as figuras de Aristeu e de Sérgio Pimenta, que participa pela primeira vez de Vencedores nesta equipe. Nascido em 1954 no Rio de Janeiro, Pimenta foi o grande ícone da música que Vencedores produziu em seus quase 40 anos de existência. Falecido aos 32 anos em 1987, escreveu mais de 300 composições em pouco mais de uma década, canções que em sua maioria utilizavam-se de ritmos nacionais. Quico Fagundes, renomado violonista radicado em Brasília e amigo pessoal de Pimenta descreve detalhes de sua convivência:</p>
<blockquote><p><strong>COM JEITO DE PIMENTA E COM SABOR DE DEUS</strong>, <em>por Quico Fagundes</em></p>
<p>Eu tinha quase 17 anos e o Sérgio uns 18. Eu tocava violão com floreios clássicos e ele com tempero de bossa nova. Eu preparava vestibular para engenharia elétrica e ele para medicina. Ambos gostaríamos de ter sido músicos profissionais, mas a estrutura da música evangélica da época não permitia. Naquele tempo, o que se conhecia eram os corais, os quartetos masculinos tipo Arautos do Rei, alguns solistas avulsos e, em São Paulo, o missionário Jim Kemp estava consolidando os Vencedores por Cristo. No início, eles cantavam músicas num estilo meio jovem-guarda, americanas traduzidas e usavam uniforme mais para anos 50. O nosso conjunto Ele Vive, era um clone deles. Gostávamos muito das canções de Ralph Carmichael, tipo Existe um lugar, Se eu fosse contar, Volte atrás e outras, com harmonia em 4 vozes e um violãozinho esperto acompanhando. Agora, viver exclusivamente de música, ninguém conseguia. Não havia mercado evangélico ainda. Os discos tinham uma produção caríssima e os mecanismos de divulgação eram muito limitados. Rádio evangélica, só umas duas AM em São Paulo e Rio, mas que ninguém ouvia.</p>
<p>É importante destacar que no início dos 70, estávamos vivendo uma época extremamente fértil na música popular brasileira, onde se destacavam talentos fantásticos como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Carlinhos Lira, Elis Regina, Baden Powell, Luis Bonfá, Chico Buarque, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Fernando Brant, MPB4, Os Mutantes e se revelavam garotos mais próximos da nossa geração, como Gonzaguinha, Ivan Lins, Toquinho, João Bosco, Aldir Blanc, Secos e Molhados, Ney Matogrosso, os mineiros Toninho Horta, Wagner Tiso, Flávio Venturini, Beto Guedes, Lô Borges, Moraes Moreira e os Novos Baianos, os nordestinos Fagner, Belchior e Alceu Valença, os gaúchos Kleiton e Kledir e vários outros. Que geração de peso, hein?</p>
<p>Nossa formação musical estava toda baseada nos altos padrões dessa turma, fortemente bossa-nova, mais um pouco de Beatles e não esqueçamos de Pixinguinha, Noel, Garoto e Villa-Lobos. Aí, o Pimenta levava uma grande vantagem sobre os outros músicos evangélicos, pois morava no Rio, de longe o grande centro cultural do Brasil, tinha crescido assistindo os principais artistas ao vivo, chegou a conhecer um ou outro de perto, sua família fazia rodas de samba e de choro entre uma feijoada e um Fla-Flu, e tinha ainda o mar e as calçadas de Copacabana para sobremesa. As antenas da Embratel estavam recém se tornando populares e tudo apontava para o Rio: a televisão, as novelas, os festivais, o cinema, o Fino da Bossa, a Tropicália, o Fusca, o Canal 100, o gol 1000 do Pelé, os Atos Institucionais do governo, as estatais, a dívida externa, etc e tal. Nós assistíamos tudo aquilo pelo tubo da TV, em preto e branco. O Pimenta estava lá de corpo e alma, em cores.</p>
<p>Além disto, os anos 70 foram de muita contestação política e os estudantes do Rio fizeram constantes passeatas, enfrentando pra valer o regime. Alguns morreram em choques com a polícia, muitos foram presos e outros desaparecidos. O Sérgio também tinha coração de estudante e sonhava com um outro país. Embora não tivesse atividade política de esquerda, como era a moda, afinal era filho de militar, estudante do Colégio Militar e bom presbiteriano, acabou sendo um revolucionário no contexto evangélico.</p>
<p><em>Disponível em <a href="http://www.valterjunior.com.br">http://www.valterjunior.com.br</a>, consulta em 02/02/2005.</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jorgecamargo.com.br/artigos/de-vento-em-popa-fe-crista-e-mpb-parte-ii/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Trecho do Meu Livro</title>
		<link>http://www.jorgecamargo.com.br/artigos/trecho-do-meu-livro/</link>
		<comments>http://www.jorgecamargo.com.br/artigos/trecho-do-meu-livro/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Feb 2007 09:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Caetano Veloso]]></category>
		<category><![CDATA[Cláudio]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Ghandi]]></category>
		<category><![CDATA[Graham Kendrick]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Kerr]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[John Michael Talbot]]></category>
		<category><![CDATA[Keith Green]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Mariinha]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Luther King]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Card]]></category>
		<category><![CDATA[Nelson Bomilcar]]></category>
		<category><![CDATA[Phil Keaggy]]></category>
		<category><![CDATA[Rúbens]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[São Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Pimenta]]></category>
		<category><![CDATA[Secos e Molhados]]></category>
		<category><![CDATA[Somos Um]]></category>
		<category><![CDATA[Valéria]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[Vivi]]></category>
		<category><![CDATA[VPC]]></category>
		<category><![CDATA[Walter]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jorgecamargo.com.br/blog/2007/03/13/trecho-do-meu-livro/</guid>
		<description><![CDATA[Leia um trecho do Livro-CD "Somos Um" de Jorge Camargo, com canções inéditas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Fale de Amor</strong></p>
<p>Fale de amor<br />
No espelho dágua de seus olhos<br />
Abra os portais do seu abraço<br />
Se for preciso, use palavras</p>
<p>Proclame a vida<br />
Em seu singelo esplendor<br />
Cantando ao vento<br />
A música do seu amor</p>
<p>O sol, a lua e as estrelas<br />
Mulheres, homens e animais<br />
Irmanados na riqueza<br />
Suprema que é viver em paz</p>
<p>Proclamem a vida<br />
Em seu singelo esplendor<br />
Cantando ao vento<br />
A música do seu amor</p>
<p>Fale de amor<br />
Trocando os sons pelo silêncio<br />
Tornando voz em gesto e ato<br />
Se for preciso, use palavras</p></blockquote>
<p>A música entrou em minha vida quando eu tinha treze anos. Minha tia Mariinha, carinhosamente chamada por todos na família de Inha, era a minha madrinha de batismo e me presenteou, em meu aniversário, com um violão vermelho Giannini, de cordas de aço. Nos primeiros minutos de contato, não nos entendemos muito bem: quebrei duas de suas cordas tentando afiná-lo.</p>
<p>Durante meses ele ficou largado em cima do guarda-roupa, ocupando espaço e juntando pó. No ano seguinte, o Cláudio, vizinho e amigo de muitos anos, indicou-me uma professora de violão, a dona Vivi. Com ela aprendi os primeiros acordes e formei meu primeiro repertório.</p>
<p>Hoje, quando revejo na mente como um filme seu violão sempre afinado e de som doce e refinado, ao mesmo tempo em que percebo suas muitas limitações, por outro lado reconheço o quanto era capaz de passar adiante o pouco que sabia.</p>
<p>Ainda espero encontrar dona Vivi para dizer muito obrigado por ter plantado em mim a boa semente do amor à música e hoje poder dizer, citando Caetano Veloso, “como é bom poder tocar um instrumento”.</p>
<p>Lembro-me com detalhes da primeira aula e da primeira canção que levei para casa, “O Vira” do grupo sensação da época, “Secos e Molhados”. Depois de meses de encontros semanais na sala da casa de dona Vivi, meu caderno estava repleto de canções com ritmos variados, todas padronizadas e escritas com a famosa caneta Bic: as letras em azul, as cifras e a indicação do ritmo em vermelho.</p>
<p>Cláudio e Walter, o “Pezão”, eram meus parceiros de futebol, embora nenhum dos três levasse muito jeito para a coisa. A falta de habilidade com a bola, no entanto, já não nos incomodava. Havíamos agora nos tornado parceiros na música. Ambos eram também alunos de dona Vivi.</p>
<p>Encontrávamo-nos regularmente para compartilhar nossas canções e as dificuldades no aprendizado de novos acordes, particularmente com a “pestana”, posição que exige o uso do dedo indicador inteiro estendido sobre a casa do violão servindo de apoio aos outros dedos na formação do acorde, e que é o terror de todos os iniciantes no instrumento.</p>
<p>Pouco tempo depois, conhecemos a Valéria, nossa colega de escola, uma garota comunicativa e simpática que também tocava e nos convidou para juntos “trocarmos figurinhas” musicais em sua casa. Aquele primeiro encontro determinou o rumo dos próximos vinte e oito anos de minha vida.</p>
<p>Do primeiro encontro, onde ouvi pela primeira vez um disco do grupo Vencedores, marcamos de nos ver novamente, dessa vez na igreja evangélica que Valéria freqüentava, um templo espaçoso em um bairro antigo e tradicional da cidade que em suas atividades reservava uma sala para adolescentes aos domingos à tarde.</p>
<p>O som das guitarras era envolvente e o senso de comunidade que o ambiente suscitava era acolhedor. Dezenas de meninos e meninas reunidos em um espaço apertado cantando a plenos pulmões, mãos unidas na canção final, sorrisos e abraços de boas vindas, essas coisas todas me marcaram profundamente.</p>
<p>E me fizeram querer ser parte de tudo aquilo.</p>
<p>Poucas semanas depois eu já empunhava uma das guitarras no encontro semanal dos adolescentes. Em meses, apresentava minhas primeiras composições nos cultos dominicais noturnos, para centenas de pessoas. Minha vocação se manifestara de forma clara e límpida.</p>
<p>Quatro anos se passaram. Meu querido e, àquela altura, novo amigo Rubens, observando meu trabalho como músico, intérprete e compositor naquela comunidade, apresentou-me a alguns membros do grupo Vencedores por Cristo, uma organização religiosa e artística que recrutava jovens de várias comunidades evangélicas do país, oferecendo treinamento em diversas áreas que incluía, entre outras, música. Os jovens selecionados formavam um grupo musical (cujo nome era Vencedores, seguido do número da equipe) que recebia todo o apoio da organização e viajava para uma determinada região do Brasil visitando igrejas, hospitais, prisões, praças públicas, canais de rádio e TV, colocando em prática os ensinamentos adquiridos durante a fase de treinamento. Ao final da viagem, eram “devolvidos” às suas comunidades numa noite de celebração, quando um relatório era prestado sobre as atividades da equipe.</p>
<p>O sustento da organização vinha, entre outras fontes, da gravação de discos cujos músicos que deles participavam eram os jovens que nas equipes se destacavam por suas habilidades musicais e emprestavam seu talento ao grupo. Participei de várias dessas gravações até começar a produzir meus próprios discos no final da década de 1980.</p>
<p>O trabalho com Vencedores me abriu portas, janelas e horizontes. Nas muitas viagens que fiz com as equipes visitei as mais variadas comunidades cristãs, como variadas são as regiões deste país, com seus inúmeros sotaques, estilos, influências e ambigüidades.</p>
<p>No dia a dia do trabalho musical conheci músicos, intérpretes e compositores maravilhosos como Sérgio Pimenta, Nelson Bomilcar, Guilherme Kerr, entre vários outros. Passei também a ter contato com a obra de muitos artistas de outros países como Graham Kendrick na Inglaterra e Keith Green, Phil Keaggy, Michael Card e John Michael Talbot nos Estados Unidos, estes dois últimos com uma história interessante, que me levou até Francisco.</p>
<p>Michael Card, de formação protestante, é conhecido nos Estados Unidos e em outras partes do mundo como um compositor de música cristã de conteúdo sólido, inspirada nas Escrituras, e de compromisso com a reflexão. John Michael Talbot é líder de uma comunidade, a Irmãos e Irmãs de Caridade, e o intérprete e compositor católico mais difundido nos Estados Unidos.</p>
<p>Amigos de muitos anos, em 1996 eles produziram um disco juntos, Brother to Brother (De irmão para irmão). A obra recebeu várias críticas dos setores protestantes mais conservadores por insinuar uma relação ecumênica entre Card e Talbot. E pensar que muitos dos críticos, senão todos, talvez não tenham tido a oportunidade e a disposição de ouvir o resultado final da produção, de rara beleza e encantamento!</p>
<p>Sempre admirei a obra de Talbot e Card, cada um dentro de sua tradição. Michael por produzir álbuns temáticos, que revelam a dedicação à pesquisa e um autêntico mergulho do autor nos temas abordados. John por sua busca às raízes de sua fé, lançando mão da obra e da vida de vários personagens da história do cristianismo para transformá-los em melodia, harmonia e ritmo. Uma de suas canções é intitulada “Lady Poverty” (Senhora Pobreza), inspirada em Francisco:</p>
<blockquote><p>“Lady Poverty,</p>
<p>Enter my door</p>
<p>Give me the riches</p>
<p>Of my Lord”</p></blockquote>
<blockquote><p>“Senhora Pobreza,</p>
<p>Entre em minha porta,</p>
<p>Dê-me as riquezas</p>
<p>De meu Senhor”</p></blockquote>
<p>Ao ouvi-la, relacionei-a de imediato ao grande líder e místico cristão nascido no século XII na cidade italiana de Assis de família nobre e que, tendo se convertido a Deus enquanto prisioneiro de guerra em Perugia, anos depois criou uma ordem religiosa que leva seu nome, a dos Franciscanos.</p>
<p>Por muitos tido como louco, Francisco levou às últimas conseqüências seu compromisso de fé. Despojou-se de todas as riquezas e viveu o resto da vida dedicado aos pobres e marginalizados. Enfrentou conflitos com o poder religioso de sua época, mas resistiu às pressões sem violência, no que me lembra Ghandi e Martin Luther King.</p>
<p>Ele por certo teria dificuldade de estar filiado a alguma entidade religiosa de peso no mundo atual. Suas idéias de que Cristo teria sido um mendigo, sua insistência em chamar a pobreza de sua senhora e de amá-la a tal ponto de, ao ver alguém mais pobre que ele sentir ciúmes, fazem de Francisco um cidadão em descompasso com o nosso tempo, mas, ao mesmo tempo, desesperadamente necessário.</p>
<p>Em dias de exaltação a líderes religiosos personalistas, a resposta de Francisco quando indagado pelo bispo de Óstia acerca da possibilidade de que seus frades fossem elevados à condição de bispos e prelados que prevalecessem sobre os outros por seu ensinamento e exemplo respondeu, “senhor, meus frades são chamados menores para que não tenham a pretensão de ser maiores”.</p>
<p>É célebre o amor de Francisco pelos animais, platéia de muitas de suas pregações. Tirava vermes do caminho, temeroso de que fossem esmagados pelos transeuntes. Servia às abelhas com mel e vinho para que não morressem de frio. A todos os animais chamava irmãos.</p>
<p>Uma existência assim tão radicalmente entregue ao sabor do amor à vida, às pessoas e à natureza é como uma canção.</p>
<p>Original e única.</p>
<p>Inspiradora e bela.</p>
<p>Como as canções que, para mim, são Card, Cláudio, Talbot, Walter, Keaggy, Valéria, Green, Rubens, Inha e Vivi.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jorgecamargo.com.br/artigos/trecho-do-meu-livro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Maria Perpétua</title>
		<link>http://www.jorgecamargo.com.br/blog/maria-perpetua/</link>
		<comments>http://www.jorgecamargo.com.br/blog/maria-perpetua/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 24 Jul 2006 10:03:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog do Jorge]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Perpétua]]></category>
		<category><![CDATA[Notas]]></category>
		<category><![CDATA[São João da Cruz]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jorgecamargo.com.br/blog/2006/07/24/maria-perpetua/</guid>
		<description><![CDATA[Desde que me entendo por gente, um membro da família tem estado quase que onipresente em todos os momentos. De figura frágil e postura sempre discreta, sua abnegação (irmã mais velha de outros 7, não se casou pra cuidar deles)&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que me entendo por gente, um membro da família tem estado quase que onipresente em todos os momentos. De figura frágil e postura sempre discreta, sua abnegação (irmã mais velha de outros 7, não se casou pra cuidar deles) talvez seja a palavra que melhor descreve sua trajetória na existência.</p>
<p>De minha vida em particular ela participou já nos primeiros momentos. Foi minha madrinha de batismo. Um título que, em minha adolescência, depois de me haver batizado na igreja protestante relutei muitas vezes em usar. Sei que isso a deixou ressentida em muitas ocasiões. No espaço de seu coração amplo, no entanto, isso nunca foi motivo para que expressasse desinteresse ou rancor. Quanta bobagem religiosa!</p>
<p>Em todos os meus aniversários uma ligação, um presente por mais simples que fosse.</p>
<p>Amor.<br />
Compromisso.<br />
Lealdade.<br />
Virtudes hoje tão escassas.</p>
<p>Para tentar dar uma idéia da dimensão de sua influência: minha madrinha Maria, “Inha” (como sempre foi carinhosamente chamada) foi quem me deu meu primeiro violão. E mudou a minha vida.</p>
<p>Nesta madrugada fria ela partiu ao encontro do amado em silêncio, discretamente, abnegadamente.<br />
De consolo, me restam as palavras de São João da Cruz:</p>
<blockquote><p><em>Ó noite que me guiaste<br />
Ó noite mais amável que a alvorada<br />
Ó noite que juntaste, ó noite que juntaste<br />
Amado com amada!</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jorgecamargo.com.br/blog/maria-perpetua/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
