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	<title>Jorge Camargo &#187; Vivi</title>
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	<description>Travessia - Uma viagem literário-musical de sensibilidade e espiritualidade.</description>
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		<itunes:subtitle>Jorge Camargo</itunes:subtitle>
		<itunes:summary>Uma viagem literaacute;rio-musical de sensibilidade e espiritualidade.</itunes:summary>
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		<title>A Música e Eu</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 14:13:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A música entrou em minha vida quando eu tinha treze anos. Tia Mariinha, carinhosamente chamada por todos na família de Inha, era a minha madrinha de batismo e me presenteou, em meu aniversário, com um violão vermelho Giannini de cordas&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A música entrou em minha vida quando eu tinha treze anos. Tia Mariinha, carinhosamente chamada por todos na família de Inha, era a minha madrinha de batismo e me presenteou, em meu aniversário, com um violão vermelho Giannini de cordas de aço. Nos primeiros minutos de contato, não nos entendemos muito bem: quebrei duas de suas cordas tentando afiná-lo.</p>
<p>Durante meses ele ficou largado em cima do guarda-roupa, ocupando espaço e juntando pó. No ano seguinte, Cláudio, um vizinho e amigo de muitos anos, indicou-me uma professora de violão: a dona Vivi. Com ela aprendi os primeiros acordes e formei meu primeiro repertório. Hoje, quando revejo na mente como um filme seu violão sempre afinado e de som doce e refinado, ao mesmo tempo em que percebo suas muitas limitações, reconheço o quanto era capaz de passar adiante o pouco que sabia.</p>
<p><span id="more-293"></span></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-298" title="violao-e-livro" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/05/violao-e-livro.jpg" alt="" /></p>
<p>Ainda espero encontrar dona Vivi para dizer “muito obrigado” por ter plantado em mim a boa semente do amor à música e por hoje poder dizer, citando Caetano Veloso, &#8220;como é bom poder tocar um instrumento&#8221;.</p>
<p>Lembro-me com detalhes da primeira aula e da primeira canção que levei para casa: &#8220;O Vira&#8221; do grupo sensação da época, Secos e Molhados.</p>
<p>Depois de meses de encontros semanais na sala da casa de dona Vivi, meu caderno estava repleto de canções com ritmos variados, todas padronizadas e escritas com a famosa caneta Bic: as letras em azul, as cifras e a indicação do ritmo em vermelho.</p>
<p>Cláudio e Walter, o &#8220;Pezão&#8221;, eram meus parceiros de futebol, embora nenhum dos três levasse muito jeito para a coisa. A falta de habilidade com a bola, no entanto, já não nos incomodava. Havíamos nos tornado parceiros na música. Ambos eram também alunos de dona Vivi.</p>
<p>Encontrávamo-nos regularmente para compartilhar nossas canções e as dificuldades no aprendizado de novos acordes, particularmente com a &#8220;pestana&#8221; (posição que exige o uso do dedo indicador inteiro estendido sobre a casa do violão servindo de apoio aos outros dedos na formação do acorde, e que é o terror de todos os iniciantes no instrumento).</p>
<p>Pouco tempo depois, conhecemos a Valéria, nossa colega de escola; uma garota comunicativa e simpática que também tocava e nos convidou para juntos &#8220;trocarmos figurinhas&#8221; musicais em sua casa. Aquele primeiro encontro determinou o rumo dos próximos vinte e oito anos de minha vida.</p>
<p>Do primeiro encontro, em que ouvi pela primeira vez um disco do grupo Vencedores Por Cristo, marcamos de nos ver novamente, dessa vez na igreja evangélica que Valéria freqüentava: um templo espaçoso em um bairro antigo e tradicional da cidade e que em suas atividades reservava uma sala para adolescentes aos domingos à tarde.</p>
<p>O som das guitarras era envolvente e o senso de comunidade que o ambiente suscitava era acolhedor. Dezenas de meninos e meninas reunidos em um espaço apertado, cantando a plenos pulmões, mãos unidas na canção final, sorrisos e abraços de boas vindas, essas coisas todas me marcaram profundamente. E me fizeram querer ser parte de tudo aquilo.</p>
<p>Poucas semanas depois eu já empunhava uma das guitarras no encontro semanal dos adolescentes. Em alguns meses, apresentava minhas primeiras composições nos cultos dominicais noturnos, para centenas de pessoas.</p>
<p>Minha vocação se manifestara de forma clara e límpida.</p>
<p>(trecho do livro-cd Somos Um) <a href="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/05/violao-e-livro1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-295" title="violao-e-livro1" src="http://www.jorgecamargo.com.br/adminsite/wp-content/uploads/2008/05/violao-e-livro1.jpg" alt="" /></a></p>
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		<title>Trecho do Meu Livro</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Feb 2007 09:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Camargo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Leia um trecho do Livro-CD "Somos Um" de Jorge Camargo, com canções inéditas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Fale de Amor</strong></p>
<p>Fale de amor<br />
No espelho dágua de seus olhos<br />
Abra os portais do seu abraço<br />
Se for preciso, use palavras</p>
<p>Proclame a vida<br />
Em seu singelo esplendor<br />
Cantando ao vento<br />
A música do seu amor</p>
<p>O sol, a lua e as estrelas<br />
Mulheres, homens e animais<br />
Irmanados na riqueza<br />
Suprema que é viver em paz</p>
<p>Proclamem a vida<br />
Em seu singelo esplendor<br />
Cantando ao vento<br />
A música do seu amor</p>
<p>Fale de amor<br />
Trocando os sons pelo silêncio<br />
Tornando voz em gesto e ato<br />
Se for preciso, use palavras</p></blockquote>
<p>A música entrou em minha vida quando eu tinha treze anos. Minha tia Mariinha, carinhosamente chamada por todos na família de Inha, era a minha madrinha de batismo e me presenteou, em meu aniversário, com um violão vermelho Giannini, de cordas de aço. Nos primeiros minutos de contato, não nos entendemos muito bem: quebrei duas de suas cordas tentando afiná-lo.</p>
<p>Durante meses ele ficou largado em cima do guarda-roupa, ocupando espaço e juntando pó. No ano seguinte, o Cláudio, vizinho e amigo de muitos anos, indicou-me uma professora de violão, a dona Vivi. Com ela aprendi os primeiros acordes e formei meu primeiro repertório.</p>
<p>Hoje, quando revejo na mente como um filme seu violão sempre afinado e de som doce e refinado, ao mesmo tempo em que percebo suas muitas limitações, por outro lado reconheço o quanto era capaz de passar adiante o pouco que sabia.</p>
<p>Ainda espero encontrar dona Vivi para dizer muito obrigado por ter plantado em mim a boa semente do amor à música e hoje poder dizer, citando Caetano Veloso, “como é bom poder tocar um instrumento”.</p>
<p>Lembro-me com detalhes da primeira aula e da primeira canção que levei para casa, “O Vira” do grupo sensação da época, “Secos e Molhados”. Depois de meses de encontros semanais na sala da casa de dona Vivi, meu caderno estava repleto de canções com ritmos variados, todas padronizadas e escritas com a famosa caneta Bic: as letras em azul, as cifras e a indicação do ritmo em vermelho.</p>
<p>Cláudio e Walter, o “Pezão”, eram meus parceiros de futebol, embora nenhum dos três levasse muito jeito para a coisa. A falta de habilidade com a bola, no entanto, já não nos incomodava. Havíamos agora nos tornado parceiros na música. Ambos eram também alunos de dona Vivi.</p>
<p>Encontrávamo-nos regularmente para compartilhar nossas canções e as dificuldades no aprendizado de novos acordes, particularmente com a “pestana”, posição que exige o uso do dedo indicador inteiro estendido sobre a casa do violão servindo de apoio aos outros dedos na formação do acorde, e que é o terror de todos os iniciantes no instrumento.</p>
<p>Pouco tempo depois, conhecemos a Valéria, nossa colega de escola, uma garota comunicativa e simpática que também tocava e nos convidou para juntos “trocarmos figurinhas” musicais em sua casa. Aquele primeiro encontro determinou o rumo dos próximos vinte e oito anos de minha vida.</p>
<p>Do primeiro encontro, onde ouvi pela primeira vez um disco do grupo Vencedores, marcamos de nos ver novamente, dessa vez na igreja evangélica que Valéria freqüentava, um templo espaçoso em um bairro antigo e tradicional da cidade que em suas atividades reservava uma sala para adolescentes aos domingos à tarde.</p>
<p>O som das guitarras era envolvente e o senso de comunidade que o ambiente suscitava era acolhedor. Dezenas de meninos e meninas reunidos em um espaço apertado cantando a plenos pulmões, mãos unidas na canção final, sorrisos e abraços de boas vindas, essas coisas todas me marcaram profundamente.</p>
<p>E me fizeram querer ser parte de tudo aquilo.</p>
<p>Poucas semanas depois eu já empunhava uma das guitarras no encontro semanal dos adolescentes. Em meses, apresentava minhas primeiras composições nos cultos dominicais noturnos, para centenas de pessoas. Minha vocação se manifestara de forma clara e límpida.</p>
<p>Quatro anos se passaram. Meu querido e, àquela altura, novo amigo Rubens, observando meu trabalho como músico, intérprete e compositor naquela comunidade, apresentou-me a alguns membros do grupo Vencedores por Cristo, uma organização religiosa e artística que recrutava jovens de várias comunidades evangélicas do país, oferecendo treinamento em diversas áreas que incluía, entre outras, música. Os jovens selecionados formavam um grupo musical (cujo nome era Vencedores, seguido do número da equipe) que recebia todo o apoio da organização e viajava para uma determinada região do Brasil visitando igrejas, hospitais, prisões, praças públicas, canais de rádio e TV, colocando em prática os ensinamentos adquiridos durante a fase de treinamento. Ao final da viagem, eram “devolvidos” às suas comunidades numa noite de celebração, quando um relatório era prestado sobre as atividades da equipe.</p>
<p>O sustento da organização vinha, entre outras fontes, da gravação de discos cujos músicos que deles participavam eram os jovens que nas equipes se destacavam por suas habilidades musicais e emprestavam seu talento ao grupo. Participei de várias dessas gravações até começar a produzir meus próprios discos no final da década de 1980.</p>
<p>O trabalho com Vencedores me abriu portas, janelas e horizontes. Nas muitas viagens que fiz com as equipes visitei as mais variadas comunidades cristãs, como variadas são as regiões deste país, com seus inúmeros sotaques, estilos, influências e ambigüidades.</p>
<p>No dia a dia do trabalho musical conheci músicos, intérpretes e compositores maravilhosos como Sérgio Pimenta, Nelson Bomilcar, Guilherme Kerr, entre vários outros. Passei também a ter contato com a obra de muitos artistas de outros países como Graham Kendrick na Inglaterra e Keith Green, Phil Keaggy, Michael Card e John Michael Talbot nos Estados Unidos, estes dois últimos com uma história interessante, que me levou até Francisco.</p>
<p>Michael Card, de formação protestante, é conhecido nos Estados Unidos e em outras partes do mundo como um compositor de música cristã de conteúdo sólido, inspirada nas Escrituras, e de compromisso com a reflexão. John Michael Talbot é líder de uma comunidade, a Irmãos e Irmãs de Caridade, e o intérprete e compositor católico mais difundido nos Estados Unidos.</p>
<p>Amigos de muitos anos, em 1996 eles produziram um disco juntos, Brother to Brother (De irmão para irmão). A obra recebeu várias críticas dos setores protestantes mais conservadores por insinuar uma relação ecumênica entre Card e Talbot. E pensar que muitos dos críticos, senão todos, talvez não tenham tido a oportunidade e a disposição de ouvir o resultado final da produção, de rara beleza e encantamento!</p>
<p>Sempre admirei a obra de Talbot e Card, cada um dentro de sua tradição. Michael por produzir álbuns temáticos, que revelam a dedicação à pesquisa e um autêntico mergulho do autor nos temas abordados. John por sua busca às raízes de sua fé, lançando mão da obra e da vida de vários personagens da história do cristianismo para transformá-los em melodia, harmonia e ritmo. Uma de suas canções é intitulada “Lady Poverty” (Senhora Pobreza), inspirada em Francisco:</p>
<blockquote><p>“Lady Poverty,</p>
<p>Enter my door</p>
<p>Give me the riches</p>
<p>Of my Lord”</p></blockquote>
<blockquote><p>“Senhora Pobreza,</p>
<p>Entre em minha porta,</p>
<p>Dê-me as riquezas</p>
<p>De meu Senhor”</p></blockquote>
<p>Ao ouvi-la, relacionei-a de imediato ao grande líder e místico cristão nascido no século XII na cidade italiana de Assis de família nobre e que, tendo se convertido a Deus enquanto prisioneiro de guerra em Perugia, anos depois criou uma ordem religiosa que leva seu nome, a dos Franciscanos.</p>
<p>Por muitos tido como louco, Francisco levou às últimas conseqüências seu compromisso de fé. Despojou-se de todas as riquezas e viveu o resto da vida dedicado aos pobres e marginalizados. Enfrentou conflitos com o poder religioso de sua época, mas resistiu às pressões sem violência, no que me lembra Ghandi e Martin Luther King.</p>
<p>Ele por certo teria dificuldade de estar filiado a alguma entidade religiosa de peso no mundo atual. Suas idéias de que Cristo teria sido um mendigo, sua insistência em chamar a pobreza de sua senhora e de amá-la a tal ponto de, ao ver alguém mais pobre que ele sentir ciúmes, fazem de Francisco um cidadão em descompasso com o nosso tempo, mas, ao mesmo tempo, desesperadamente necessário.</p>
<p>Em dias de exaltação a líderes religiosos personalistas, a resposta de Francisco quando indagado pelo bispo de Óstia acerca da possibilidade de que seus frades fossem elevados à condição de bispos e prelados que prevalecessem sobre os outros por seu ensinamento e exemplo respondeu, “senhor, meus frades são chamados menores para que não tenham a pretensão de ser maiores”.</p>
<p>É célebre o amor de Francisco pelos animais, platéia de muitas de suas pregações. Tirava vermes do caminho, temeroso de que fossem esmagados pelos transeuntes. Servia às abelhas com mel e vinho para que não morressem de frio. A todos os animais chamava irmãos.</p>
<p>Uma existência assim tão radicalmente entregue ao sabor do amor à vida, às pessoas e à natureza é como uma canção.</p>
<p>Original e única.</p>
<p>Inspiradora e bela.</p>
<p>Como as canções que, para mim, são Card, Cláudio, Talbot, Walter, Keaggy, Valéria, Green, Rubens, Inha e Vivi.</p>
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