Letras

IMENSIDÃO

Jorge Camargo e Gladir Cabral

Imensidão, feita em parceria com Gladir, e é uma canção que eu comecei a escrever no fim da década de 90, e que Gladir concluiu recentemente. Tendo como foco o coração, ela também homenageia dois grandes poetas da nossa língua que como poucos descrevem os caminhos do coração: Fernando Pessoa e Adélia Prado.


Você não faz ideia da imensidão
Dos muitos rios que desembocam nesse mar
No mar aberto e fundo do seu coração
De um mundo inteiro ainda por se navegar

De toda parte passam as embarcações
Singrando as águas turvas de uma vida a sós
Que clama por sentido e realização
Usando o vento e as ondas como a sua voz

E você lê algum poema do Pessoa,
Uma mensagem escondida na garrafa,
Um verso livre de Adélia que ressoa
Como um soluço incontido que se abafa

E então desaba aquele anseio de infinito
De andar por mares nunca dantes navegados
Uma saudade muda feito quase um grito
O sal da lágrima de amores naufragados

Abrir as velas e abraçar a luz do dia
Olhar à frente e navegar o que é preciso
Vencer a fúria, bem além da calmaria
Provar o sal, o sol, o céu, o rio e o riso

 

A FELICIDADE
Jorge Camargo e Ricardo Gouvêa

A Felicidade é inspirada em frase de Søren Kierkegaard (1813-1855), filósofo e teólogo dinamarquês: “A porta da felicidade abre só para o exterior; quem a força em sentido contrário acaba por fechá-la ainda mais”.


A felicidade é uma porta
Que sempre se abre pra fora
Quem forçá-la para dentro
Ordena que o amor vá embora

A felicidade é uma porta
São poucos os que se arvoram
A mantê-la escancarada
Como vão de abrigo aos que choram

A felicidade é uma porta

É passagem, é caminho
É meio e não é fim
Roga o bem do seu vizinho
Nunca quer só pra si

A felicidade é uma porta
E abri-la é escolha sua
Quem se fecha não se arrisca
Mas a alegria está na rua

 

CONFISSÃO
Gerson Borges

Escrita por Gerson Borges, Confissão é uma das canções que compõem a trilha sonora da minha vida. Sempre que a ouço, me recordo da canção do Tunai “Certas Canções”, eternizada na voz do Milton Nascimento: “certas canções que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece, ‘como não fui eu que fiz?’”

Há uma fome no meu coração
Como se fosse uma África
Que precisando de muito, mas muito pão
Só encontrasse migalhas no chão

Como se fosse um motor
Sem combustível
Uma batalha interior,
Armagedom invisível

Há um navio aguardando no cais
Da minha alma exilada
Que tendo leme, marujos, tripulação
Ergue as velas e parte
Eu não

Acho que você já notou
Desde bem cedo
Mais do que eu saiba falar
Eu tenho muito medo

Medo de te perder,
Medo de me encontrar
Medo de partir
Mesmo se desconfiasse
Que seria melhor ficar

Medo de morrer só
Ou de virar um Jó
Medo de secar
Se a vida de repente resolvesse
Desabrochar

 

BEIJA-FLOR

Jorge Camargo e Gladir Cabral

Beija-Flor faz parte do musical (An)Danças, que Gladir e eu escrevemos, e cujo tema é a dança, em suas múltiplas expressões.


Nunca menospreze uma semente
Não despreze o impulso criador
Olhe, prove, ouça, cheire, tente
Como um curioso beija-flor

Não rejeite os tímidos começos
Eles também rumam aos finais
A deselegância dos tropeços
Move a contradança dos casais

Deixe-se levar pelo amor
Deixe-se molhar pelo mar
Deixe o sal tocar sua dor
Deixe a luz do sol consolar

Veja o brilho frágil de uma estrela
Ela inspira múltiplas canções
Em seus filamentos de centelha
Podem se esconder constelações

Baile no compasso das palavras
Salte sobre as linhas das tensões
Sente-se à beira das calçadas
Cante ao som dos velhos violões

Deixe-se levar pelo amor
Deixe-se molhar pelo mar
Deixe o sal tocar sua dor
Deixe a luz do sol consolar

 

ANA BIA
Jorge Camargo

Ana Bia eu dedico à minha filha Ana Beatriz, que para mim é tudo isso que diz a canção e muito mais.

Você é fruto
Da minha descoberta
De quem eu sou,
Alguém do bem
Um homem de verdade

Você é porta,
É vão, janela aberta
Pra onde eu vou
Bem mais além
Do que chamam de tarde

E ao mesmo tempo
É só você brotando
É flor que sai do meu jardim
Para enfeitar o mundo

Ana, Ana,
Bia, Bia

Você é gosto
Que a vida me oferece
É cor, calor
Inspiração
Sabor de eternidade

Ana, Ana,
Bia, Bia

 

VALSA ALEGRE
Jorge Camargo e Gladir Cabral

Também parte do musical (An)danças, que Gladir e eu escrevemos, Valsa Alegre homenageia um estilo de canção popular (a valsa) que tem oferecido ao cancioneiro brasileiro obras inesquecíveis.

O som reverberou
Correu pelo salão
Em busca dos casais unidos pelos pés
Ligados pelas mãos

A postos pra dançar
Ao léu uma canção
Além do corpo, alçar um voo livre até o
Céu do coração

A valsa alegre enleva
E leva onde bem entende
A quem quiser levar

Qual chama solta ao vento
Leve sentimento
Quase como flutuar

Então os olhos meus
Procuram pelos teus
Na órbita dos astros
Todos os espaços vão se iluminar

 

VEJA, VÊ
Jorge Camargo e Ana Paula Spolon

Veja Vê eu dedico a Verônica, minha filha mais velha, que chegou depois…

 

Veja só
Como a vida nos presenteou
Como o céu inteiro se assanhou
Só porque você chegou

Veja só
Como um samba se pôs a tocar
E a menina correu pra dançar
Celebrar que o amor ficou

Veja só
Veja bem
Veja, Vê

Veja só
Pequenina olha e estende a mão
Pra acolher a dor na escuridão
Em singela doação

Veja só
Olhos verdes brilham na amplidão
Pra fazer sorrir o coração
De quem canta esta canção

Veja só
Veja bem
Veja, Vê

 

AMOR VERDADEIRO
Jorge Camargo

Amor Verdadeiro é a primeira canção que nasceu para este projeto. Tem como inspiração um diálogo milenar, ocorrido à beira de uma praia, e que discorre sobre o o “caminho excelente”.

Você sabe o quanto eu amo
Do mais fundo do meu peito
Com o que há de mais sagrado
Até onde eu posso ver

Sabe as lutas do meu tempo
Das ciladas do destino
Do meu coração sedento
Por saber por conhecer

Do amor mais verdadeiro
Com que quero amar pra sempre
Sabe enfim todas as coisas
Sabe o quanto eu quero ter…

Sabe o quanto eu quero ser

 

O SOL SE ESQUECEU
Jorge Camargo

Ana, O Sol se esqueceu é a minha canção de amor mais especial. Eu a dedico a você. Ela é a sua canção.

Minha razão sucumbiu
Ao teu olhar, à tua voz
E o meu coração sorriu

Meu braço então se estendeu
Pra te abraçar, pra te acolher
E o sol então esqueceu

De ir se pôr
De não brilhar
De não tocar a pele, a tez

Do mal em mim, o que não sou
Tudo o que sei
Queimar de vez

Meu pensamento embotou
Só sabe olhar, só sabe ver
Tudo aquilo que é teu

A minha vida se abriu
Para enxergar e admirar
O quanto o sol esqueceu

De ir se deitar
De não brilhar
De não queimar
A pele, a tez

Do mal em mim
O que não sou
Tudo o que sei
Queimar de vez

 

O AMOR É ASSIM MESMO
Jorge Camargo

Composta em comemoração às bodas de prata de um casal amigo, o Amor é Assim Mesmo é uma canção de amor que exalta a sua perenidade e a sua perseverança. “O amor tudo espera.” Falando em durabilidade e em firmeza e constância, sei que vai soar redundante, mas não importa. A canção acaba sendo em sua homenagem também, Ana. Você me inspirou a escrevê-la, mesmo sem que eu ou você soubéssemos.

 

O amor resiste ao tempo
Torna quem é fraco em forte
Passa os corações a limpo
O amor é sempre o norte

O amor trata as feridas
Cura as marcas do passado
Lembra as datas esquecidas
O amor é um aliado

Na luta contra as tempestades
Na força contra os vendavais
Da graça que concede àqueles
Que não desistirão jamais

Da lágrima que escorre quente
Nas horas de alegria e dor
Do riso que enche o rosto amado
Olhando para o seu amor

O amor é assim mesmo
Surpreende a quem já sabe
Ou pensa que sabe e cisma
Em querer que o amor acabe

O amor é assim mesmo
Vive para a eternidade
Ainda que andando a esmo
Encontra o lar cedo ou tarde

 

EMBELEZAR
Jorge Camargo e Gladir Cabral

“Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar
a vida com alegria foram a Verdade, a Bondade e a Beleza.” (Albert Einstein)

Tudo o que é bonito de viver
Nos pega e nos leva pela mão
Seja um rosto, um gesto, um entardecer
Um sorriso, um gosto, uma canção

Einstein respondeu à indagação
Sobre os noves fora do saber
Ao dizer que o belo é expressão
Do universo como tem de ser

A vida vai, a vida vem
A vida a verdejar
A vida vai, a vida vem
No verbo embelezar

Toda gente sabe que este rio
Foi um dia braço a procurar
Rosto da montanha que sorriu
Resto de abraço à beira-mar

A vida vai, a vida vem
A vida a verdejar
A vida vai, a vida vem
No verbo embelezar